Esse levantamento, realizado globalmente pelo Global Wellness Institute em colaboração com a Roche Diagnóstica, incluiu 4.326 indivíduos com diabetes, sendo 20% deles brasileiros. As respostas vieram de pessoas de 22 países, abrangendo locais como Austrália, Japão e Dinamarca. No Brasil, em particular, 77% dos pacientes com diabetes tipo 1 afirmaram que a condição impacta diretamente seu bem-estar emocional.
O diabetes é causado pela produção insuficiente ou pela má absorção de insulina, essencial para a regulação da glicose no organismo. Quando não controlada, a doença pode resultar em complicações graves que podem afetar órgãos vitais e, em casos extremos, levar ao óbito. No Brasil, a situação é alarmante: o país ocupa a sexta posição mundial em casos de diabetes, com 16,6 milhões de adultos diagnosticados.
Os dados da pesquisa indicam que, no dia a dia, 56% dos entrevistados sentem que a diabetes limita sua capacidade de realizar atividades fora de casa, e 46% têm dificuldades em situações cotidianas, como longas reuniões. A qualidade do sono também é afetada, com 55% afirmando que não acordam descansados devido a oscilações nos níveis de glicose durante a noite.
Apesar dos avanços na medicina, muitos pacientes sentem que o modelo atual de cuidados não é adequado. Menos da metade se considera confiante na gestão de sua condição. Para suprir essa lacuna, 44% dos entrevistados clamam por tecnologias que possam prever flutuações na glicose, enquanto 46% defendem a adoção de sensores de monitoramento contínuo.
Esses novos dispositivos, capazes de fornecer dados em tempo real, podem transformar a experiência de viver com diabetes, permitindo uma antecipação das variações glicêmicas e, consequentemente, uma melhoria na qualidade de vida. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o monitoramento contínuo da glicose já é amplamente reconhecido como uma ferramenta vital, especialmente para pacientes com diabetes tipo 1, onde os níveis de glicose oscilam frequentemente.
Contudo, ainda existem desafios a serem superados no Brasil. O acesso a essas tecnologias é limitado, e a recente decisão do Ministério da Saúde de não incorporar o monitoramento contínuo da glicose no Sistema Único de Saúde deixou muitos pacientes preocupados. Atualmente, dispositivos de monitoramento contínuo estão disponíveis principalmente para aqueles com maior poder aquisitivo, enquanto a busca por regulamentações que garantam esse acesso a todos continua em andamento no âmbito legislativo. A trajetória para melhorar a qualidade de vida de pacientes com diabetes no Brasil e garantir acesso a tecnologia eficaz ainda demanda esforços significativos.





