Em termos absolutos, isso significa que, para cada um milhão de casos de dengue, 36 pessoas podem ser afetadas pela SGB. Embora esse número possa parecer baixo, ele assume grande relevância, especialmente em um país como o Brasil, que frequentemente enfrenta epidemias de dengue. No período de 2023 a 2024, mais de 5 mil hospitalizações por SGB foram registradas, sendo que 89 casos ocorreram logo após pacientes apresentarem sintomas de dengue.
Diante deste cenário, especialistas em saúde pública enfatizam a necessidade urgente de integrar a monitorização da SGB nos protocolos de vigilância de saúde nas regiões impactadas pela dengue. Durante surtos, é crucial que os sistemas de saúde estejam preparados para identificar rapidamente casos de fraqueza muscular, além de disponibilizar leitos de UTI e suporte ventilatório adequado. Estratégias de vigilância ativa devem ser implementadas nas semanas após os picos de dengue.
A detecção precoce da SGB é vital, pois o tratamento, que pode incluir imunoglobulina ou plasmaférese, é mais eficaz quando iniciado rapidamente. Os profissionais de saúde são incentivados a considerar a SGB em pacientes que tiveram dengue recentemente e que se queixam de fraqueza nas pernas ou formigamento.
Atualmente, não existe um tratamento antiviral específico para a dengue, e o manejo dos pacientes se baseia na hidratação e suporte clínico. Assim, a prevenção, através do controle do mosquito transmissor e da vacinação, continua sendo a estratégia mais eficaz. A vacinação é capaz de reduzir significativamente o número de casos de dengue, diminuindo, por sua vez, as complicações graves associadas, como a SGB.
Além disso, a Fiocruz alerta que o Brasil, com mais de 6 milhões de casos prováveis de dengue em 2024, evidencia a necessidade de um sistema de saúde preparado para responder a essas complicações. A relação entre arboviroses e problemas neurológicos foi previamente demonstrada durante a epidemia de Zika, destacando a relevância em se observar a conexão entre diversas infecções virais.
A SGB é uma condição neurológica rara em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, levando a uma fraqueza que geralmente começa nas pernas e pode progredir. Em casos severos, a condição pode resultar em paralisia e necessidade de suporte ventilatório. Apesar de a maioria dos pacientes se recuperar, isso pode levar meses ou anos, e algumas pessoas podem enfrentar sequelas permanentes. A prevenção contínua é, sem dúvida, a melhor medida a ser adotada para evitar não somente a dengue, mas também suas possíveis complicações devastadoras.
