SAÚDE – Deficiência visual infantil cresce no Brasil devido a erros de refração não corrigidos, alertam especialistas sobre impacto na aprendizagem e socialização.

Erros de refração não corrigidos representam a principal causa de deficiência visual entre crianças no Brasil, afetando directamente o desempenho escolar e a socialização. Essa constatação preocupa especialistas e foi recentemente destacada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A falta de diagnose adequada e a correção tardia desses problemas visuais podem ter um impacto significativo, não apenas na vida das crianças, mas também em aspectos econômicos e sociais.

De acordo com estimativas de um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 0,7% da população infantil na América do Sul tem deficiência visual devido a erros de refração não tratados. Isso significa que aproximadamente 23 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar enfrentam problemas de visão que, se não corrigidos, podem comprometer o seu aprendizado e integração social.

Os erros refrativos, ou ametropias, incluem condições como miopia, hipermetropia e astigmatismo, situações em que os raios de luz não se focalizam corretamente na retina, resultando em visão desfocada. Felizmente, essas condições são geralmente corrigíveis por meio de óculos, lentes de contato ou cirurgia. O tratamento precoce é esencial, pois pode minimizar o risco de ambliopia, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”. A triagem oftalmológica é fundamental neste contexto, permitindo a identificação antecipada de problemas e reduzindo o risco de cegueira infantil.

O CBO recomenda que a triagem oftalmológica ocorra entre os primeiros meses até os seis anos de idade, um período crucial para o desenvolvimento da visão. A organização enfatiza que a saúde ocular infantil deve ser uma prioridade para famílias e instituições públicas. Problemas visuais não tratados podem prejudicar o aprendizado e a interação social das crianças. Estimativas sugerem que o Brasil pode ter cerca de 27 mil crianças cegas, muitas afetadas por doenças que poderiam ter sido preventivas.

Para auxiliar na conscientização e educação sobre a importância da saúde ocular, o CBO e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica lançaram, em julho, uma cartilha intitulada “Saúde Ocular na Infância”. O documento oferece orientações práticas sobre cuidados essenciais e sinais de alerta para preservar a visão das crianças. Entre os temas abordados, estão cuidados com conjuntivite e terçol, uso correto de óculos e até maquiagem infantil. A cartilha, dividida em seis seções, serve como um guia abrangente, desde o desenvolvimento visual da infância até recomendações sobre exames oftalmológicos.

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