Em 2016, o Brasil havia sido certificado como livre do sarampo. No entanto, devido ao registro de diversos casos importados associados a baixas coberturas vacinais, um novo surto da doença foi observado em 2018. Desde então, o país tem buscado, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), fortalecer e integrar ações de vigilância epidemiológica, laboratório, vacinação, atenção primária, comunicação e mobilização social e comunitária.
Durante a 26ª Jornada Nacional de Imunizações, realizada no Recife, o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, expressou otimismo em relação à recertificação do Brasil como área livre do sarampo. Segundo ele, o país avançou de categoria em 2023, passando de endêmico para pendente de reverificação.
Diversos dados fornecidos pelo Ministério da Saúde mostram a evolução da situação do sarampo no Brasil. Em 2018, foram registrados 9.329 casos em 11 estados. Já em 2019, o número subiu para 21.704 casos em 23 estados, o que resultou na perda do certificado de país livre da doença. No entanto, em 2021, o Brasil registrou apenas 41 casos em quatro estados, sendo o último em junho, no Amapá, e desde então não foi identificado nenhum caso autóctone da doença no país.
As recomendações feitas pela comissão regional no ano passado envolvem atividades como melhoria nos níveis de imunidade da população, intensificação da vacinação em áreas de alto risco, modernização dos sistemas de informação sobre vacinação e vigilância de casos, e treinamento de profissionais de saúde em vigilância e resposta rápida ao sarampo. Além disso, o Ministério da Saúde planeja publicar uma atualização do plano de ação relacionado ao sarampo em outubro, com foco na reverificação do sarampo e na sustentabilidade da eliminação da rubéola no Brasil.
Outra medida destacada é a instituição do Dia S, um dia de mobilização nacional para vacinação e busca ativa de casos de sarampo. O objetivo final é não apenas alcançar a recertificação do país como livre da doença, mas também manter essa certificação e evitar novos surtos como o de 2018. A eliminação do sarampo demanda não apenas vacinação, mas também um processo contínuo de vigilância e organização para garantir a saúde da população.