O Unicef observa que, embora o número de crianças que receberam pelo menos uma dose da DTP tenha aumentado para 116 milhões no ano passado, o índice de crianças que não recebem vacinas continua preocupante, já que se mantém em níveis similares aos de 2009. Isso se torna especialmente problemático com o aumento do risco de surtos de doenças preveníveis por vacinas. A organização ressalta que apenas 84% das crianças receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, e apenas 77% receberam a segunda dose (MCV2), colocando em risco a imunidade coletiva, que idealmente deve ser de 95%.
As informações compiladas foram fornecidas por 195 países e mostram que, enquanto 100 países mantiveram uma cobertura de pelo menos 90% desde 2019, a progressão na ampliação desse grupo tem sido lenta. Em contrapartida, 65 países, incluindo nações vulneráveis e afetadas por conflitos, enfrentam estagnação ou retrocesso nas taxas de imunização.
A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, destacou que, após as quedas significativas nas taxas de vacinação durante a pandemia de Covid-19, muitos países estão se esforçando para recuperar os índices de imunização. No entanto, a pobreza, conflitos e deslocamentos forçados continuam a desproteger milhões de crianças. O relatório aponta que mais da metade das crianças não vacinadas reside em locais vulneráveis, onde a cobertura vacinal é seriamente afetada pela instabilidade política e insegurança.
O cenário não é uniforme, com países de renda média e alta também apresentando quedas nas taxas de vacinação, em grande parte devido a mudanças políticas e ao aumento da hesitação vacinal. Exemplos como a África do Sul, onde a cobertura da DTP1 caiu 20 pontos desde 2019, ilustram essas dificuldades.
Por outro lado, o Brasil se destaca por ter melhorado constantemente sua cobertura vacinal, reduzindo substancialmente o número de crianças sem vacinas. Atualmente, estima-se que apenas 50 mil crianças estejam nessa condição. Contudo, o país enfrenta críticas pela falta de pesquisas independentes para verificar a qualidade dos dados vacinais nos últimos cinco anos, uma prática recomendada por entidades como a OMS e o Unicef.
O panorama global revela que, embora avançar na imunização seja possível, os desafios persistem e requerem esforços contínuos para garantir que todas as crianças tenham acesso a vacinas essenciais, especialmente em um mundo marcado pela instabilidade e incertezas.
