Na Região Sudeste, o acesso aos serviços de saúde é mais abrangente em comparação à Região Norte. Renata Mattos enfatiza a importância de um diagnóstico precoce, uma vez que a cardiopatia congênita é uma das principais causas de mortalidade infantil ligada a malformações. Estima-se que cerca de 1% de todas as crianças nascidas vivas tenham algum tipo dessa condição, sendo que 30% requerem intervenção médica imediata.
As cardiopatias congênitas englobam uma variedade de doenças com diferentes graus de gravidade. Segundo a especialista, a detecção durante a gestação pode possibilitar um planejamento eficaz do parto. Nos casos em que se identifica a necessidade de cuidados imediatos após o nascimento, é fundamental que o parto ocorra em um local equipado com UTI. Quando a condição não é detectada ao nascer, os pais e responsáveis devem estar atentos a sinais como dificuldade para ganhar peso, cansaço excessivo ao mamar e respiração acelerada.
Um aspecto positivo é que muitas cardiopatias podem ser tratadas com um único procedimento, enquanto outras podem exigir intervenções sucessivas até a idade adulta. Renata destaca que, com o acompanhamento adequado, muitos desses pacientes levam uma vida normal. Historicamente, havia a crença de que crianças com cardiopatias estavam impedidas de praticar esportes, mas hoje se sabe que a atividade física é benéfica.
Exemplos de sucesso também emergem de instituições como a Pró Criança Cardíaca, que atende crianças com cardiopatias há 30 anos. Nathan Senna Alves, um paciente que passou por três cirurgias, exemplifica a importância do tratamento contínuo e do diagnóstico precoce. Aos 30 anos, Nathan vive com saúde e sem complicações, atestando os avanços nos cuidados pediátricos em cardiologia.
O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel vital nesse contexto, oferecendo acompanhamento integral, desde exames de ecocardiograma no pré-natal até intervenções cirúrgicas complexas. Campanhas como o Teste do Coraçãozinho, que visa identificar cardiopatias críticas em recém-nascidos, são fundamentais na luta contra a mortalidade infantil nesse contexto.
Por meio de conscientização contínua, diagnóstico precoce e tratamento adequado, a cardiopatia congênita não precisa definir os limites da vida das crianças afetadas.
