Um estudo recente, que analisou informações do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019, destaca a importância de conscientização sobre os diversos tipos de câncer causados pelo HPV. Segundo a pesquisa, o câncer de colo do útero continua a ser a principal preocupação, representando 74,3% das internações e 77,3% das mortes no período em questão. Contudo, é importante ressaltar que um em cada quatro pacientes desenvolve câncer em locais distintos, enfatizando a abrangência do problema.
Os pesquisadores também alertam para a crescente incidência de câncer anal, especialmente entre homens que fazem sexo com homens e pessoas imuno-comprometidas. Intrigantemente, os cânceres de cabeça e pescoço afetam quatro vezes mais homens do que mulheres, refletindo uma disparidade preocupante nas taxas de incidência e mortalidade.
Dados do estudo indicam uma reversão no padrão de hospitalizações de câncer de colo do útero, que, após uma redução de 4,7% entre 2011 e 2016, viu um aumento de 3,9% de 2016 a 2019. Esse padrão também se aplica à mortalidade, com uma queda inicial seguida por um aumento alarmante nos anos subsequentes.
Adicionalmente, a faixa etária das pessoas afetadas pelo câncer de colo do útero é inquietante; internações são significativas a partir dos 30 anos, enquanto a média de idade das mães que desenvolveram a doença é de 47 anos, muito inferior à média de outros tipos de câncer. Somente 40% das mulheres realizam exames de papanicolau regularmente, o que compromete diagnósticos precoces e a possibilidade de tratamento.
Recentemente, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes para rastreamento do câncer do colo do útero, agora recomendando o teste de DNA-HPV para todas as mulheres entre 25 e 64 anos. Esse exame avança na detecção do vírus e na identificação de tipos com potencial cancerígeno, prometendo um rastreamento mais eficaz e uma redução nas taxas de mortalidade.
A vacina contra o HPV, incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014, tem mostrado eficácia significativa na diminuição da incidência de câncer e de lesões precoces. No entanto, as projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que mais de 19 mil novos casos serão diagnosticados anualmente entre 2026 e 2028, um aumento de 14% em relação a períodos anteriores.
Assim, a vacinação é especialmente recomendada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, idealmente antes do início da vida sexual. O Ministério da Saúde, por meio de uma campanha de resgate vacinal, busca alcançar jovens de até 19 anos que não tenham sido vacinados na faixa etária indicada, juntamente com grupos de risco específico.
Com essa abordagem, incluindo diagnóstico e vacinação em larga escala, há a esperança de que o câncer de colo do útero possa ser eliminado em um horizonte de 20 anos, demonstrando que, apesar das dificuldades, a premunição eficaz pode mudar o cenário da saúde pública no Brasil.
