Samara Martins, única mulher candidata à presidência, critica privatizações e promete recuperar setores estratégicos em sua campanha para 2026

Na corrida eleitoral de 2026, Samara Martins se destaca como a única mulher oficialmente candidata à presidência do Brasil até o momento, representando a Unidade Popular (UP). Com uma trajetória marcada pela militância nos movimentos sociais e atuação como trabalhadora no Sistema Único de Saúde (SUS), Martins é uma voz de resistência que se opõe ao imperialismo e defende a reestatização de setores estratégicos da economia.

Em suas declarações, Martins destacou a necessidade de uma ruptura com o que considera ser a “fase imperialista do capitalismo”, onde o capital financeiro exerce forte influência sobre o Brasil. Ela colocou em xeque os recentes episódios de privatização, citando um incêndio no sistema ferroviário de São Paulo logo após a concessão das linhas à iniciativa privada, e reivindicou a reestatização de empresas como a Vale do Rio Doce e a Petrobras. Segundo a candidata, essa é uma questão de soberania nacional.

Martins também abordou questões sociais, como a auditoria da dívida pública e a suspensão dos pagamentos da “dívida viva”. Ela enfatizou que a reforma agrária deve ser uma prioridade, já que, segundo ela, essa pauta foi negligenciada por outros partidos de esquerda. Além disso, criticou alianças políticas que, em sua visão, foram coniventes com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, destacando que muitos aliados atuais do governo Lula mantêm uma retórica de esquerda, mas implementam políticas de direita.

No que diz respeito ao trabalho, Martins se manifestou contra a proposta de manter a escala de trabalho 6 por 1 e defendeu a importância de aumentar o salário mínimo. Ela argumentou que o Brasil, sendo uma das dez maiores economias do mundo, ainda apresenta um dos menores salários da América do Sul.

O cenário da segurança pública também foi abordado pela candidata, que celebrou a desmilitarização das polícias e relatou sua experiência em comunidades afetadas pela violência policial. Martins destacou a elevada taxa de mortes em operações, que geralmente afetam jovens negros e pobres, chamando esse fenômeno de genocídio.

Por fim, ela defendeu a criminalização da misoginia e a necessidade de uma abordagem mais rigorosa frente aos feminicídios, apontando que quatro mulheres morrem diariamente no Brasil. Martins criticou a atual estrutura do Senado por dificultar o acesso ao aborto legal e se opôs à ideia de eliminar cotas para mulheres e negros nas chapas eleitorais, enfatizando que essa proposta ignora a diversidade da população brasileira. A candidata se posiciona como uma alternativa firme e crítica nas eleições, buscando reverter a lógica de exploração e desigualdade.

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