Samara Martins, a primeira pré-candidata à presidência, propõe ruptura com capitalismo imperialista e reestatização de setores-chave em defesa da soberania nacional.

Samara Martins, única pré-candidata oficialmente registrada até o momento, está à frente da Unidade Popular (UP) e apresenta uma proposta ousada de ruptura com o que ela define como “fase imperialista do capitalismo”. Durante uma entrevista, destacou que, caso eleita, seu governo se compromete a reverter a privatização de setores estratégicos da economia brasileira, buscando reestabelecer o controle estatal sobre instituições como a Vale do Rio Doce e a Petrobras.

Martins, que atua como trabalhadora do Sistema Único de Saúde (SUS) e é militante de movimentos sociais, assumir a candidatura após a desistência de Léo Péricles, na qual tinha concorrido como vice. Em sua visão, o capital financeiro e as interferências estrangeiras são responsáveis pelo direcionamento da economia do Brasil, levando à transformação do país em uma colônia moderna.

Ela abordou questões recentes, como um incêndio no sistema ferroviário de São Paulo, que ocorreu logo após a concessão de linhas à iniciativa privada. Essa situação, segundo ela, ilustra os perigos da privatização. “Precisamos reestatizar a Vale e garantir que a Petrobras seja integralmente estatal. Isso diz respeito à nossa soberania”, afirmou com convicção.

A candidata também propõe uma auditoria da dívida pública brasileira, bem como a suspensão imediata dos pagamentos da “dívida viva”. Ela critica a suposta falta de compromisso com reformas essenciais por parte de outros partidos de esquerda, especialmente a reforma agrária, que considera fundamental para a soberania nacional.

Quando questionada sobre possíveis alianças, Martins afastou a ideia de coalizões com grupos que apoiaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, afirmando que certas práticas políticas, mesmo vindas do governo atual, representam um retrocesso.

Em questões trabalhistas, ela criticou a incapacidade do Senado em avançar propostas como o fim da escala de trabalho 6 por 1 e defendeu a necessidade de dobrar o salário mínimo, ressaltando que o Brasil, apesar de ser uma das dez maiores economias do mundo, ainda possui um dos menores salários da América Latina.

A candidata também abordou a urgência de criar frentes emergenciais de trabalho geridas pelo setor público, eliminando a dependência de empreiteiras e terceirizações. Além disso, propõe que todos os políticos utilizem exclusivamente o SUS e a educação pública, como uma forma de garantir que eles compreendam a real qualidade dos serviços que disponibilizam à população.

Sobre a violência, Martins propôs a desmilitarização das polícias e destacou a brutalidade do modelo policial atual, que remete a práticas herdadas da ditadura. Ela mencionou a situação em comunidades afetadas por operações policiais, onde tem havido um número alarmante de mortes, principalmente entre jovens, negros e pobres.

A candidata também se posiciona firmemente contra a misoginia e o feminicídio, ressaltando que a abordagem penal vigente é insuficiente para combater essa realidade. Criticou ainda o Senado pela tentativa de restringir o acesso ao aborto legal e pela proposta de eliminar cotas para mulheres e negros nas chapas eleitorais, considerando essa atitude um afronta à representatividade.

Martins expressou sua determinação em trazer à tona essas questões, reafirmando que a luta pela igualdade e justiça deve ser uma prioridade em qualquer movimento político.

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