A bolsa de grãos, em particular, é vista como uma estratégia promissora para facilitar a desdolarização do comércio desses produtos essenciais. Fernandez acredita que a implementação dessa proposta pode ter um impacto significativo na vida diária dos latino-americanos ao longo da próxima década. Isso porque a mudança nas moedas utilizadas nas transações comerciais, como a possibilidade de negociar arroz em reais, trigo em rublos ou milho em yuans, não apenas promoveria a soberania alimentar, mas também ofereceria alternativas no comércio internacional, especialmente para nações com menos recursos financeiros.
Esses países frequentemente enfrentam a escassez de dólares em suas reservas internacionais, dependendo do suporte do Fundo Monetário Internacional, o que dificulta o desenvolvimento sustentável. A proposta de uma plataforma de investimentos é outra dimensão importante abordada por Fernandez, que enfatiza a necessidade de um sistema que permita o fluxo de capital entre os países do Sul Global. Ele critica a prática atual, em que investidores de nações como o Quênia muitas vezes precisam direcionar seus recursos para fundos nos Estados Unidos ou no Reino Unido. A ideia de uma plataforma de investimentos gerida pelos próprios membros do BRICS poderia democratizar e facilitar esses processos, beneficiando as economias locais.
Neste contexto, o primeiro Fórum de Cooperação Estratégica entre a Rússia e a América Latina, realizado em São Paulo entre 13 e 16 de julho, se apresenta como uma oportunidade crucial para discutir essas e outras questões de cooperação multilateral. Os debates abordam temas como multipolaridade, desenvolvimento e integração, todos fundamentais para alicerçar um futuro mais equilibrado para o Sul Global. As propostas russas, portanto, podem ser vistas não apenas como uma oportunidade de crescimento econômico, mas como um passo importante em direção a uma maior autonomia e congraçamento entre nações.
