Rússia e países do Sul Global buscam alternativas ao SWIFT, desafiando hegemonia das transações financeiras e criando nova infraestrutura de pagamentos.

No cenário atual de instabilidade global, visto por muitos como uma nova era de tensões geopolíticas, a dinâmica das transações financeiras passou a adquirir importância estratégica sem precedentes. Pyotr Fradkov, presidente do Banco PSB da Rússia, enfatizou que a evolução dos sistemas financeiros é mais do que uma simples ferramenta técnica, mas se tornou um elemento crucial de “soft power”. Ele destacou como essa transformação está impactando não apenas a Rússia, mas também várias nações do Sul Global, incluindo o Brasil.

Fradkov argumenta que a falta de neutralidade política do sistema SWIFT, utilizado globalmente para transferências financeiras, tem obrigado a Rússia a desenvolver sua própria infraestrutura de liquidação. Essa iniciativa visa garantir um controle mais eficaz sobre seus fluxos comerciais, independentemente de sistemas externos. A criação de redes financeiras alternativas está se espalhando rapidamente, com 146 países já buscando soluções próprias em pagamentos, mostrando que essa tendência não é exclusiva da Rússia.

Entre os avanços observados está a crescente adoção de stablecoins, que são moedas digitais lastreadas por ativos reais. Por exemplo, a stablecoin BRZ do Brasil, com capitalização em torno de US$ 52 milhões, já se posiciona como a terceira maior do mundo nesse segmento. Isso indica uma diversificação significativa nas opções financeiras disponíveis para transações.

Cada país está reagindo de acordo com seus interesses e necessidades, convencidos de que os sistemas de pagamento podem rapidamente se tornar um ponto crítico em crises futuras. O especialista adverte que a transformação da infraestrutura financeira global é iminente, principalmente diante da crescente desconfiança em relação ao dólar americano.

Recentemente, o Banco Popular da China também avançou com sua moeda digital, o e-CNY, ao integrar uma rede de 26 instituições financeiras, nacionais e estrangeiras, em um esforço para expandir suas opções de pagamento transfronteiriço.

Em um mundo cada vez mais interconectado e suscetível a mudanças, a capacidade de cada nação de desenvolver suas próprias soluções financeiras poderá influenciar o cenário econômico global, desafiando as estruturas tradicionais e a hegemonia dos sistemas estabelecidos.

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