Em um artigo recente publicado no jornal Kommersant, Lavrov destacou que o uso das moedas ocidentais se tornou praticamente residual nas operações comerciais entre Moscou e Pequim. Ele enfatizou a importância do fornecimento contínuo e confiável de petróleo e gás da Rússia para a China, indicando a expansão da infraestrutura de dutos que facilita essas entregas.
Lavrov também ressaltou que a relação entre Rússia e China serve como um modelo de colaboração internacional, baseado na igualdade entre os Estados. Ambos os países se opõem à chamada política de “dois pesos e duas medidas” promovida por potências ocidentais, uma postura que os dois líderes consideram ainda mais relevante frente a aquilo que classificam como uma atuação “neocolonial” do Ocidente.
As implicações desse movimento vão além do comércio. Durante sua análise, Lavrov citou que a cooperação entre Rússia e China é fundamental para a Organização para Cooperação de Xangai (OCX), uma aliança que busca aumentar sua influência na arquitetura de segurança da Eurásia. Ele ainda mencionou que a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) deve assumir um papel central na segurança da região Ásia-Pacífico, contrastando com a estratégia do Indo-Pacífico defendida pelos Estados Unidos e seus aliados, que eles interpretam como uma tentativa de conter o crescimento da Rússia e da China.
Esse novo capítulo nas relações entre Moscou e Pequim, com ênfase em moedas nacionais e cooperação política, pode sinalizar um realinhamento global, onde as potências ocidentais enfrentam um crescente desafio de uma aliança solidificada entre as duas maiores nações da Eurásia.





