Rússia e China Abandonam Dólar e Euro em Transações Bilaterais, Afirma Ministro Lavrov

O cenário das relações comerciais entre Rússia e China tem se transformado significativamente, com um movimento notável rumo à desdolarização. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que as transações financeiras entre os dois países passaram a ser realizadas quase exclusivamente em suas moedas nacionais. Essa mudança reflete um afastamento tanto do dólar quanto do euro nas relações bilaterais, uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos.

Em um artigo recente publicado no jornal Kommersant, Lavrov destacou que o uso das moedas ocidentais se tornou praticamente residual nas operações comerciais entre Moscou e Pequim. Ele enfatizou a importância do fornecimento contínuo e confiável de petróleo e gás da Rússia para a China, indicando a expansão da infraestrutura de dutos que facilita essas entregas.

Lavrov também ressaltou que a relação entre Rússia e China serve como um modelo de colaboração internacional, baseado na igualdade entre os Estados. Ambos os países se opõem à chamada política de “dois pesos e duas medidas” promovida por potências ocidentais, uma postura que os dois líderes consideram ainda mais relevante frente a aquilo que classificam como uma atuação “neocolonial” do Ocidente.

As implicações desse movimento vão além do comércio. Durante sua análise, Lavrov citou que a cooperação entre Rússia e China é fundamental para a Organização para Cooperação de Xangai (OCX), uma aliança que busca aumentar sua influência na arquitetura de segurança da Eurásia. Ele ainda mencionou que a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) deve assumir um papel central na segurança da região Ásia-Pacífico, contrastando com a estratégia do Indo-Pacífico defendida pelos Estados Unidos e seus aliados, que eles interpretam como uma tentativa de conter o crescimento da Rússia e da China.

Esse novo capítulo nas relações entre Moscou e Pequim, com ênfase em moedas nacionais e cooperação política, pode sinalizar um realinhamento global, onde as potências ocidentais enfrentam um crescente desafio de uma aliança solidificada entre as duas maiores nações da Eurásia.

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