Em suas reflexões, Rolon destaca a complexidade de retornar como campeão: “Ser visto como um potencial bicampeão traz um peso considerável. Isso envolve uma parceria sólida entre aluno e professor. O esforço e a dedicação são fundamentais; muitas vezes, o que realmente importa não é apenas o talento, mas a entrega ao processo.”
Natural da Guiana Francesa e criado no Pará, Rolon Ho começou sua trajetória artística aos 15 anos, quando foi selecionado por um projeto social em sua escola pública. Antes disso, ele sequer sonhava em seguir a carreira de dançarino. “Foi aí que a mágica aconteceu. Descobri minha verdadeira paixão pela dança e decidi que esse seria o meu caminho.”
Entretanto, essa escolha não foi bem recebida por sua família. “Enfrentei resistência em casa. Diziam que a dança não era uma profissão digna e que eu não conseguiria me sustentar. Ouvi todos os comentários comuns que muitos artistas enfrentam. Mas, em vez de desanimar, isso me deu força para continuar lutando.”
Ao longo dos seus 25 anos de carreira, Rolon acumulou uma série de conquistas significativas. Passou por diversas bandas, entre elas a famosa Banda Calypso, e foi laureado com títulos importantes, como o de Patrimônio Cultural Imaterial de Belém. Atualmente, também é responsável pelas coreografias da cantora Joelma. Sua participação em clipes, como o de “Foguinho” com Gaby Amarantos, e os palcos que dividiu com a artista durante o The Town mostram sua relevância no cenário musical.
Apesar de seu currículo invejável, Rolon afirma que foi mesmo a TV que o tornou um nome conhecido em nível nacional. “O ‘Dança dos Famosos’ me deu notoriedade. Quando apareci na TV, as pessoas começaram a me reconhecer nas ruas e a acompanhar meu trabalho de perto.”
Sua primeira participação no programa, em 2023, também foi um marco para a cultura paraense, pois foi a primeira vez que o brega foi introduzido na competição. “Não estava apenas dançando; estava representando uma cultura. Senti uma responsabilidade imensa, mas felizmente, tudo correu bem.”
Em 2026, a presença de três coreógrafos paraenses na competição reforça a ideia de que a cultura da região Norte está finalmente ganhando destaque. “Ninguém da nossa região havia participado e nem conquistado nada. Acredito que a nossa participação ajudou a abrir os olhos do público para a riqueza da nossa cultura.”
Apesar da carreira bem-sucedida, Rolon Ho possui sonhos que vão além da televisão. Ele deseja coreografar para escolas de samba, conquistar um Estandarte de Ouro e participar de festivais icônicos, como o de Parintins e o de Dança de Joinville. “Quero deixar a minha marca não apenas como vencedor de um reality show, mas como um dos grandes nomes da dança brasileira.”
Inspirado por referências como Carlinhos de Jesus e Deborah Colker, ele almeja ser uma figura representativa para uma nova geração de dançarinos: “Quero provar que um profissional do Norte pode chegar ao topo. Meu objetivo é construir uma história reconhecível e ser lembrado quando o assunto for dança no Brasil.”
