Na análise do professor Thiago Rodrigues, especialista em Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense, a adoção de políticas autoritárias voltadas para a repressão, sem uma abordagem mais profunda das raízes estruturais do crime, pode resultar em um fortalecimento das facções já estabelecidas. Rodrigues argumenta que os modelos de “tolerância zero” são ineficazes, pois se concentram em punir a camada mais vulnerável da população, enquanto as lideranças dos grupos criminosos permanecem frequentemente impunes. Isso leva a um ciclo de encarceramento em massa, onde os membros mais fracos são removidos, deixando os mais fortes para dominar o cenário.
O criminologista ressalta ainda que a segurança pública se tornará uma questão central nas próximas eleições brasileiras, com vários candidatos incluindo o combate ao crime em suas plataformas. A crescente pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, para classificar facções como o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, também influi na dinâmica local, permitindo novas narrativas políticas.
Outro ponto crucial levantado por Rodrigues é a futilidade da simples transposição do modelo salvadorenho para o Equador ou para qualquer outro país sul-americano. Cada nação possui um contexto histórico e social único que não pode ser ignorado. Assim, as tentativas de replicar estratégias sem a devida consideração das particularidades locais podem agravar ainda mais os problemas. A falta de reformas profundas que atacam os problemas fundamentais das sociedades latino-americanas torna o combate ao crime organizado um dos maiores desafios contemporâneos, exigindo soluções que vão além do simples aumento da repressão.





