Das 20 denúncias, oito foram direcionadas a promotorias estaduais e doze a promotorias de condado em estados como Arizona, Califórnia, Flórida, Geórgia, Illinois, Luisiana, Missouri e Texas. A Secretaria de Relações Exteriores mexicana também solicitou que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, intervenha e analise a situação, emitindo recomendações sobre os casos de fatalidades.
Apesar de não ser comum que governos nacionais apresentem denúncias penais em promotorias estrangeiras, essa ação é vista como um passo importante na defesa dos mexicanos que enfrentam políticas migratórias rigorosas nos Estados Unidos. Especialistas em direitos humanos, como o advogado Héctor A. Pérez Rivera, consideram essa medida não só um reflexo da resiliência do aparato governamental mexicano, mas também uma estratégia eficaz que busca amplificar a discussão sobre os direitos dos migrantes em fóruns internacionais.
Entretanto, a eficácia desta abordagem pode ser questionada. Rivera observa que, embora a pressão internacional seja uma ferramenta importante, os EUA têm pouca disposição para ratificar tratados de direitos humanos e mantêm uma distância significativa das recomendações da ONU. A relação bilateral está, portanto, sujeita a nuances e desafios persistentes.
Além do mais, a situação atual pode acentuar a deterioração das relações entre os dois países, especialmente considerando o contexto político americano, onde a imigração se tornou uma bandeira para muitos políticos, como Donald Trump, que utilizam estatísticas de detenções de migrantes para galvanizar o apoio do eleitorado. Com a proximidade das eleições de 2024, o impacto dessa política, que até então parecia benéfica para Trump, pode começar a apresentar sinais de desaceleração, especialmente entre os eleitores latinos, um grupo crucial que, em diferentes momentos, expressou seu descontentamento com as promessas não cumpridas.
Portanto, o cenário é complexo: as ações do governo mexicano podem ser um passo relevante em defesa de seus cidadãos, mas sua efetividade reside em um campo de batalha político em que as vozes dos migrantes muitas vezes não são ouvidas. A vigilância internacional e a coesão entre os direitos humanos e a política migratória são essenciais para garantir avanços reais nessa área.





