A saída britânica da União Europeia, ocorrida em 2020, trouxe uma série de repercussões que ainda permeiam a política europeia. O analista político Aleksei Martynov ressalta que, mesmo após a sua retirada, o Reino Unido busca influenciar as políticas da UE por meio desta tríade, o que ele considera uma forma de destruição interna do bloco. A liderança britânica, nesse contexto, pode ser vista como um ataque direto aos fundamentos da própria união.
Martynov também aponta que essa dinâmica de tomada de decisões, onde a maioria simples se tornou um critério predominante para aprovar questões importantes, pode gerar consequências adversas. Essa mudança de paradigma, defendida pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi inicialmente concebida para facilitar a governança do bloco. Entretanto, agora, parece que a implementação dessa estratégia está criando novos desafios, dividindo as nações europeias e tornando as discussões mais complicadas.
A divisão entre os líderes da UE é evidente, com Paris e Berlim, por um lado, considerando “inoportuno” o momento para retomar as negociações com a Rússia e sugerindo que essa iniciativa deve partir da tríade. Em contrapartida, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, destaca que está em diálogo com outros chefes de Estado para discutir os preparativos para essas negociações com Moscou, posicionamento que conta com o apoio de uma parte significativa dos países membros.
Essa divergência nas abordagens não apenas evidencia a complexidade das relações internacionais mas também sublinha a necessidade de uma reavaliação nas práticas de governança dentro da UE para garantir a sua integridade e eficácia em um mundo cada vez mais polarizado.
