Recrutamento de Judeus Ultraortodoxos Pode Desestabilizar Coligação de Netanyahu em Meio à Crise na Faixa de Gaza

A recente decisão do governo de Israel de iniciar o recrutamento de 7 mil homens da comunidade ultraortodoxa, conhecidos como Haredi, desencadeou uma onda de críticas e acusações de traição. O novo ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou que a documentação para o recrutamento começará a ser enviada em 17 de novembro. Essa medida, que visa aliviar o fardo das forças armadas em meio ao atual conflito na Faixa de Gaza, foi interpretada por líderes ultraortodoxos como uma declaração de guerra do governo de Benjamin Netanyahu contra a comunidade, que historicamente se opõe ao serviço militar.

Desde a fundação do Estado de Israel, os ultraortodoxos gozam de uma isenção que os permite se dedicar ao estudo religioso em tempo integral, dispensando-os do alistamento nas Forças de Defesa de Israel (IDF). No entanto, a guerra na Faixa de Gaza tem intensificado os apelos para a revisão dessa isenção, especialmente à luz dos crescentes desafios enfrentados pelo exército israelense. A pressão sobre o governo para incluir os Haredi nas fileiras militares aumentou, especialmente após o ataque sem precedentes do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou em uma escalada significativa de violência na região.

O governo coalizão, que inclui parceiros ultraortodoxos, enfrenta um dilema delicado. Se a proposta de recrutamento for implementada, pode gerar uma fissura interna significativa entre os aliados de Netanyahu, ameaçando a estabilidade do governo que, até agora, se baseava em um equilíbrio frágil entre diferentes grupos ideológicos. A decisão de Netanyahu de avançar com o recrutamento é vista como uma tentativa de atender à demanda pública por um maior esforço militar, enquanto simultaneamente mantém os compromissos políticos com seus apoiadores.

A tensão não se limita apenas ao campo militar, mas também aos esforços diplomáticos, uma vez que as negociações por um cessar-fogo com o Hamas estagnaram, apesar das tentativas mediadoras de países terceiros, como o Catar. O governo israelense está atualmente em uma posição precária, lidando com a insatisfação interna e as repercussões de suas ações na arena internacional, onde as preocupações humanitárias se intensificam. A situação é ainda mais complicada devido à escalada do conflito, que já se estendeu a outras áreas, como o Líbano, onde grupos aliados ao Hamas provocam novas inseguranças na região. A pressão sobre Netanyahu para encontrar soluções duradouras continua aumentando, enquanto o futuro político de sua administração parece cada vez mais indefinido.

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