Os dados foram publicados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a entidade responsável por regular o setor, e refletem os reajustes aplicados pelas operadoras nos dois primeiros meses do ano. Em comparação, a última vez que os planos coletivos, que incluem aqueles contratados por empresas e associações, apresentaram um aumento inferior foi em 2021, com um reajuste de 6,43%. Esse ano, marcado pela pandemia de Covid-19, viu uma redução significativa na demanda por consultas e procedimentos, o que impactou os custos gerais do setor.
Ao considerar a inflação, este aumento nos planos coletivos se torna ainda mais evidente. Em fevereiro de 2026, a inflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de apenas 3,81%. A ANS enfatiza, entretanto, que as metodologias de cálculo entre inflação e reajuste de planos não são diretamente comparáveis.
Os planos coletivos, em sua maioria, são resultantes de negociações entre a empresa contratante e a operadora do plano, diferentemente dos planos individuais, que têm seus reajustes definidos diretamente pela ANS. Para os planos com menos de 30 beneficiários, o ajuste é de acordo com um índice aplicado a todo o grupo de contratos da operadora, permitindo um monitoramento adequado da ANS.
Especificamente nos dois primeiros meses de 2026, os planos com 30 ou mais beneficiários registraram um aumento médio de 8,71%, enquanto aqueles com até 29 clientes enfrentaram um reajuste médio de 13,48%. Vale ressaltar que cerca de 77% dos beneficiários estão em planos coletivos com 30 ou mais vidas.
De acordo com dados recentes da ANS, o Brasil possui atualmente 53 milhões de vínculos em planos de saúde, um aumento de 906 mil em relação ao ano anterior. A maioria dos clientes, 84 a cada 100, está inserida em planos coletivos. No último ano, o setor de saúde suplementar reportou receitas de R$ 391,6 bilhões, resultando em um lucro líquido de R$ 24,4 bilhões, cifra recorde que demonstra um lucro médio de R$ 6,20 para cada R$ 100 recebidos. Essa situação reflete a complexidade do cenário atual dos planos de saúde, que continuam a enfrentar pressões tanto de custos quanto de demandas regulatórias.
