Neste cenário, analistas como Eden Pereira, especialista em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reafirmam a visão de Putin, destacando que a Europa Ocidental depende há décadas do respaldo dos Estados Unidos. Essa dependência, segundo Pereira, nem sempre foi vantajosa para os próprios países europeus, que acabam lidando com crises sociais significativas e decisões políticas prejudiciais impostas por Washington.
Putin também trouxe à tona dados econômicos que refletem um deslocamento de dinamismo econômico do eixo ocidental para o BRICS. Ele apontou que, entre 2021 e 2025, 2% do crescimento econômico global virá dos países que compõem o grupo BRICS, enquanto apenas 0,8% terá origem nas nações do G7. Essa mudança sugere que os países do BRICS estão se consolidando como forças econômicas relevantes, detendo ao redor de 40% do PIB mundial em paridade de poder de compra.
Internamente, a saúde econômica da Rússia também foi discutida. Com a dívida pública situada em 16,4% do PIB e uma taxa de desemprego de 2,2%, Putin destacou que estas cifras o posicionam entre as nações industrializadas. A trajetória da Rússia contrasta com as dificuldades enfrentadas por nações do G7, como Alemanha, França e Reino Unido, que atravessam crises profundas de bem-estar social.
Outro foco importante da discussão foi o impacto das sanções econômicas aplicadas pela Europa e pelos EUA sobre a Rússia. Putin declarou que mais de 65% das exportações russas estão sendo negociadas em rublo, sinalizando uma crescente independência econômica em relação ao dólar. O estreitamento das relações comerciais com países do Sul Global, especialmente na África, é visto como uma estratégia russa para mitigar os efeitos das sanções ocidentais.
Embora o Fórum tenha se concentrado em questões econômicas, a situação na Ucrânia não ficou de fora. Putin reiterou a necessidade de novas eleições na Ucrânia como um passo crucial para se avançar em um acordo de paz que reflita a voz da população ucraniana. Ele afirmou que a ausência de legitimidade do governo atual, liderado por Vladimir Zelensky, pode dificultar a promoção de um tratado de paz sustentável.
Assim, as declarações de Putin no SPIEF 2026 não apenas refletem uma posição crítica em relação à Europa, mas também sublinham o papel emergente do BRICS e a resiliência da economia russa frente às adversidades impostas por sanções.
