Ainda que o índice tenha apresentado uma aceleração significativa, ele ficou aquém das expectativas do mercado, que esperava uma alta de 0,99%. Na prática, essa variação no IPCA-15 resulta em um acumulado de 2,39% no primeiro quadrimestre do ano e uma elevação de 4,37% nos últimos doze meses, superando os 3,90% apurados em março. Esses números afastam ainda mais a inflação do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3,5%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
O grupo de alimentação e bebidas foi o principal vilão desse aumento, com um crescimento de 1,46%. Os preços da alimentação no domicílio, por exemplo, saltaram de 1,10% em março para 1,77% em abril. Entre os itens que mais encareceram, destacam-se a cenoura, com um aumento impressionante de 25,43%, seguida pela cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%), tomate (13,76%) e carnes (1,14%). Esses produtos básicos são cruciais para a cesta das famílias, elevando o peso das despesas e intensificando a percepção de inflação, uma questão que preocupa o governo e pode impactar a popularidade do presidente Lula.
A alta nos preços dos alimentos tem uma conexão indireta com as restrições no Estreito de Ormuz, que têm limitado a oferta de petróleo e, consequentemente, elevando o custo de combustíveis, como o diesel, essencial para o transporte de mercadorias no Brasil. Essa elevação no custo do frete acaba se refletindo nas prateleiras do consumidor final.
Em relação aos combustíveis, notou-se um aumento substancial, com a variação passando de -0,03% em março para 6,06% em abril. O grupo de transporte, com uma elevação de 1,34%, também foi impactado; a gasolina, por exemplo, aumentou 6,23%, sendo a principal influência individual do índice no mês, após uma queda de 0,08% no mês anterior.
Adicionalmente, um reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, a partir de 1º de abril, gerou uma alta de 1,16% nos produtos farmacêuticos. Isso, juntamente com aumentos em itens de higiene pessoal (1,32%) e planos de saúde (0,49%), pressionou ainda mais os gastos em saúde e cuidados pessoais. Por fim, a energia elétrica residencial também viu um aumento, passando de 0,29% em março para 0,68% em abril, resultado de reajustes tarifários em algumas regiões, o que contribuiu para o agravamento do cenário inflacionário.
