Embora a ata apresentada pelo PL à Justiça Eleitoral não mencione a corrida presidencial, o cenário político já havia delineado uma interdependência entre as eleições estadual e federal. Em declarações passadas, Alfredo Gaspar, que se projetava como candidato ao Senado, condicionou qualquer aliança com JHC à construção de um palanque forte para Flávio Bolsonaro. Essa afirmação indicou uma relação intrínseca entre os acordos locais e a corrida presidencial.
Nas semanas que se seguiram, as negociações entre JHC e Alfredo Gaspar continuaram, mesmo sem um comprometimento público de JHC com a candidatura de Flávio. Fontes próximas ao governador relataram que ele estava relutante a imposições de alianças, buscando assegurar a autonomia de sua campanha. Este elemento de autonomia ganhou mais peso após JHC ter deixado o PL e se filiado ao PSDB em abril, em meio a uma crise com o atual presidente da Câmara, Arthur Lira. A saída de JHC do PL foi interpretada como uma tentativa de fortalecer sua posição em Alagoas, longe das pressões para que ele ocupasse algumas vagas na chapa majoritária.
Agora, ao reatar conversas com os mesmos grupos políticos sob a bandeira do PSDB, as antigas tensões voltam à tona, particularmente com a questão das indicações para os cargos disponíveis. Enquanto o PSDB deixou claro que busca candidaturas para governador e vice, o PL condiciona sua participação à escolha de JHC como governador e insiste na indicação do vice.
Essas movimentações revelam um quadro onde a definição da chapa estadual é crucial, mas não necessariamente implica um alinhamento político com Flávio Bolsonaro. O PL pode exigir a indicação do vice, mas isso não garante que JHC endosse a candidatura presidencial do ex-presidente. A estratificação desses diversos interesses irá moldar a trajetória política regional e terá repercussões tanto para JHC quanto para Ronaldo Lessa, que está em uma posição delicada, uma vez que seu partido, o PDT, não figura entre os aliados aceitos na coligação do PL.
Em resumo, JHC se vê diante de um dilema: aceitar a indicação do vice pelo PL, o que pode implicar um compromisso com Flávio Bolsonaro, ou buscar um cenário onde mantenha sua autonomia política na esfera nacional. A questão que fica no ar é se ele poderá realizar essa manobra sem sacrificar sua posição nas eleições presidencial e estadual.
