Essa tradição, que já dura há 68 anos, surgiu a partir do fato de que o Brasil foi o primeiro país a aderir à ONU e também um dos Estados fundadores da organização. Além disso, o então ministro do governo de Getúlio Vargas, Oswaldo Aranha, teve um papel de grande importância na história da ONU. Ele presidiu a primeira sessão especial da Assembleia e a segunda sessão ordinária no mesmo ano, onde foi aprovada a criação do Estado de Israel com o voto favorável do Brasil.
Em reconhecimento ao papel desempenhado por Aranha nos primórdios da ONU, o Brasil se tornou o país responsável por fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral, independentemente de seu nível de representação ou preferência. Os Estados Unidos, como anfitriões, têm o privilégio de falar logo após o Brasil.
Oswaldo Aranha nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 15 de fevereiro de 1884. Ele foi ministro da Justiça e da Fazenda em 1931, embaixador em Washington entre 1933 e 1937 e ministro das Relações Exteriores de 1938 a 1944. Durante a sessão da ONU que aprovou a partilha da Palestina em um Estado judaico e outro árabe, Aranha se mobilizou para garantir que a votação não fosse adiada.
Após se afastar da delegação brasileira na ONU, Aranha teve seu nome cogitado como candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Embora não tenha sido agraciado com o prêmio, ele é homenageado até hoje em Israel, com o nome de uma praça e até mesmo de um “kibutz”.
O retorno do presidente Lula à Assembleia Geral da ONU é um momento importante para o Brasil, que reafirma sua posição de destaque e sua tradição na organização. A expectativa é de que Lula faça um discurso assertivo, abordando questões prioritárias para o país e também questões globais de relevância.
Espera-se que o Brasil, assim como fez no passado, continue desempenhando um papel ativo e influente na ONU, contribuindo para o fortalecimento da paz e da cooperação internacional.





