Presidente esquerdista da Bolívia enfrenta tentativa de golpe e luta contra crise econômica e política após saída de Evo Morales.

O presidente da Bolívia, Luis Arce, de 60 anos, enfrentou uma tentativa de golpe na tarde de quarta-feira, 26, em um episódio que colocou em evidência a luta política no país sul-americano. Arce, um esquerdista visto como opositor das políticas neoliberais e de livre mercado apoiadas por Washington, é um economista formado em Londres que já ocupou o cargo de ministro da economia durante o governo de Evo Morales, ícone da esquerda latino-americana.

Após a saída de Morales do poder, em 2019, Arce assumiu a presidência em novembro de 2020, sucedendo o breve governo de Jeanine Añez. A tentativa de golpe foi confrontada pelo próprio Arce, que ordenou que o comandante geral do Exército retirasse seus soldados do palácio do governo, demonstrando firmeza diante da situação.

A trajetória econômica da Bolívia, do auge à falência, reflete a carreira de Arce, que trabalhou no Banco Central por muitos anos. O país, que passou por reformas neoliberais na década de 1990 e se tornou um importante produtor de energia, viu sua renda cair a partir de 2014, enfrentando desafios como a pandemia de covid-19 e tensões sociais.

Arce descreveu a recessão vivida por seu país como a pior dos últimos 40 anos, com a necessidade de importação de combustíveis devido à falta de produção interna. As famílias bolivianas também lidaram com altos preços de alimentos, enquanto as tensões políticas dentro do partido de Evo Morales continuavam a crescer.

O presidente boliviano enfatizou a necessidade de enfrentar os problemas econômicos e sociais do país, destacando a importância de medidas que visem melhorar a produção e reduzir a dependência de importações. Arce também criticou seus oponentes, acusando-os de sonharem com novos golpes de Estado, em um cenário político polarizado e marcado por conflitos ideológicos.

Diante desse contexto, a tentativa de golpe contra o presidente Arce evidenciou as divisões políticas no país andino e a necessidade de encontrar soluções para os desafios econômicos e sociais que a Bolívia enfrenta. Como representante de uma esquerda que busca se contrapor às políticas neoliberais, Arce enfrenta o desafio de governar em um período de instabilidade e incertezas.

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