Banco Central é Criticado por Priorizar Concorrência em Detrimento da Estabilidade Financeira
Durante o evento “TQI Summit 2026”, realizado na quinta-feira, 23 de abril, Gilson Finkelsztain, presidente da B3, e Felix Cardamone, CEO do Banco BMG, levantaram questões inquietantes sobre a atuação do Banco Central (BC) na gestão do sistema financeiro brasileiro. As declarações feitas durante o painel foram profundas, sinalizando um desvio de foco por parte da instituição reguladora.
Finkelsztain criticou abertamente o convite à competição entre os bancos e instituições financeiras, sugerindo que a busca por inovação precedeu a necessidade de garantir a estabilidade do sistema. O BC, segundo ele, tem se concentrado em aumentar a concorrência, permitindo a entrada de novos participantes no mercado, mas em detrimento da segurança financeira e de uma supervisão adequada das operações. Esse enfoque, afirmam os executivos, resultou em riscos consideráveis, como instabilidades estruturais e fragilidades operacionais, que podem afetar diretamente os consumidores.
Uma das maiores preocupações discutidas foi o papel acumulado do BC como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, conhecido popularmente como Pix. Cardamone alertou que a implementação apressada desse novo sistema, embora reconhecida internacionalmente por suas inovações e por promover inclusão financeira, deixou brechas que o crime organizado já começou a explorar. A pressa para lançar inovações sem uma análise crítica dos seus impactos pode custar caro, não apenas para o mercado, mas principalmente para os usuários do sistema.
Além disso, a questão da autonomia do BC foi trazida à tona. Enquanto já existe uma autonomia administrativa desde 2021, a autonomia financeira do Banco Central permanece uma pauta em aberto. Finkelsztain enfatizou a urgência da situação econômica na qual se encontra também a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), frisando que a falta de recursos e tecnologia pode comprometer a competitividade do Brasil no cenário global.
O debate gerado no TQI Summit ressaltou a necessidade de redefinir prioridades no BC, equilibrando a urgência pela inovação com a responsabilidade em assegurar a integridade do sistema financeiro. Os executivos concluíram que um regulador bem estruturado, com suficiente orçamento e capacidade técnica, é fundamental para enfrentar os desafios contemporâneos, especialmente em um ambiente financeiro em constante evolução e repleto de novas tecnologias, como a inteligência artificial.
