Prefeitura do Rio Lança Programa Tolerância Zero para Combater Exploração Irregular em Praias e Aumentar Segurança na Zona Sul

Nesta semana, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou a criação do Programa Tolerância Zero, uma iniciativa destinada a combater a exploração irregular do espaço público nas icônicas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, localizadas na Zona Sul da cidade. A medida surge em resposta a uma crescente preocupação com a desordem e a criminalidade que tomaram conta do calçadão e da areia, questões amplamente discutidas em reportagens recentes.

De acordo com o secretário municipal da Ordem Pública, Marcos Belchior, as autoridades identificaram uma atuação criminosa que envolve o tratamento da área como uma fonte de lucro ilícito. Facções criminosas, por exemplo, estão cobrando entre R$ 200 e R$ 300 por dia pelo uso de pontos de venda nas áreas mais movimentadas do calçadão. A prática se reflete em uma logística complexa, que inclui a locação de depósitos destinados aos ambulantes e o fornecimento de equipamentos necessários para a atividade comercial, gerando um volume de negócios estimado em cerca de R$ 100 milhões ao ano.

O programa de combate à exploração irregular será colocado em prática a partir do dia 16 deste mês e terá uma atuação ininterrupta, com patrulhamento ostensivo, instalação de pontos de controle de acesso e apreensão de mercadorias sem comprovação de origem. Até o momento, 22 depósitos clandestinos foram identificados na região, e a prefeitura já despropriou imóveis estratégicos para estabelecer locais adequados para a atividade dos ambulantes.

No entanto, essa iniciativa não é isenta de controvérsias. O Movimento Unido dos Camelôs (MUCA) organizou uma manifestação em frente à sede da prefeitura, expressando sua insatisfação com o decreto e as políticas implementadas. Maria dos Camelôs, coordenadora-geral do movimento, ressaltou que a atual gestão criminaliza os trabalhadores ambulantes ao associá-los a atividades criminosas. Ela defende a necessidade de regulamentação das atividades dos camelôs, em vez de medidas punitivas que resultam em um tratamento generalizado e injusto.

A negociação entre os ambulantes e a prefeitura já havia iniciado no início deste ano, com a intenção de mapear locais apropriados para a atuação dos trabalhadores. A comunidade de camelôs também se preocupa com a revitalização de áreas turísticas, como a Escadaria Selarón, onde foram prometidas melhorias.

Enquanto isso, as redes sociais refletem a polarização gerada pela proposta. Exemplos positivos de regularização, como o cadastro de trabalhadores na região da Uruguaiana, onde 198 ambulantes foram registrados, trazem à tona a expectativa de que um tratamento mais justo possa beneficiar tanto os trabalhadores quanto a cidade como um todo. O cenário atual exige um delicado equilíbrio entre a ordem pública e a vivência dos cidadãos, em uma cidade marcada por grandes desafios sociais e econômicos.

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