POLÍTICA – Violência Política Atinge 60% das Vereadoras Brancas e 80% das Negras, Revela Pesquisa da Rede A Ponte sobre Gênero e Raça no Legislativo Municipal.

A violência política contra mulheres no Brasil, conforme revelado em um novo relatório, é alarmante e disseminada, afetando de maneira desproporcional as representantes negras em comparação às brancas. O estudo, realizado pela Rede A Ponte, indicou que seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez vereadoras negras relataram ter sido vítimas de violência política. A Câmara Municipal, onde essas mulheres exercem seus mandatos, é o local mais comum para a ocorrência desses atos, marcando 77% dos casos identificados.

O relatório, intitulado “Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal”, revela que, apesar da promulgação da Lei 14.192/2021, que visa proteger os direitos políticos das mulheres, a realidade ainda é desoladora. Os agressores são, em sua maioria, homens brancos cisgêneros, representando 80% dos relatos. Essa situação evidencia a persistência das desigualdades de gênero e raça que permeiam o cenário político brasileiro. Além disso, 64% das violências relatadas ocorreram durante o exercício do mandato, e 34% das agressões foram cometidas por colegas de partido.

Entre os tipos de violência enfrentados por essas parlamentares, destaca-se a agressão psicológica, que afetou 89% das vítimas. Interrupções, humilhações e cortes de microfone são exemplos desse tipo de violência, além da violência simbólica, que exclui mulheres de espaços de poder. A violência moral, com calúnias e difamação, atingiu 59% dos relatos, enquanto 30% mencionaram ataques direcionados à identidade, condição ou raça, deslegitimando características étnicas e de gênero.

A investigação também trouxe à luz a violência nas esferas econômica, processual e sexual, além da violência física, que abrange ameaças e agressões diretas. A diretora-executiva da Rede A Ponte, Amanda de Albuquerque, destacou que as mulheres políticas frequentemente se sentem abandonadas pelos partidos assim que são eleitas.

A resposta do Estado frente à violência política é insuficiente. Dos 44 casos registrados, apenas 12 resultaram em denúncias formais. Esse quadro não apenas perpetua a violência como também esvazia a diversidade na representação política, prejudicando a democracia. A gestora da Rede A Ponte, Lauana Chantal, enfatizou que essa forma de violência é um dos principais obstáculos à democracia e que a situação é ainda mais crítica para as mulheres negras.

Diante desse cenário, as vereadoras expressaram a dificuldade de permanecer na política devido à naturalização da violência e à falta de apoio. Muitas revelaram que enfrentam assédios e comentários tóxicos nas redes sociais, o que compromete sua saúde mental. Apesar do orgulho em serem eleitas em municípios menores, elas buscam apoio contínuo para resistir aos desafios e continuar suas trajetórias políticas.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral de 2000 a 2024 revelam que a situação é alarmante: apenas 18,2% das cadeiras nas câmaras municipais estão ocupadas por mulheres, enquanto 734 municípios não elegeram nenhuma mulher. As mulheres negras representam apenas 7,5% das cadeiras legislativas, e as indígenas encontram-se em uma situação ainda mais crítica, com apenas 0,07% das cadeiras ocupadas.

Portanto, a situação é uma clara chamada à ação. A mídia tem um papel fundamental em dar visibilidade a essas questões, incentivando um debate público que pressione mudanças significativas nos partidos e nas instituições. Sem isso, a luta pela equidade de gênero e raça na política brasileira continua a ser um desafio enorme.

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