POLÍTICA – Urnas Eletrônicas Completam 30 Anos no Brasil e Enfrentam Desinformação Crescente sobre seu Funcionamento e Confiabilidade nas Eleições.

Nesta quarta-feira, dia 13 de setembro, o Brasil celebra três décadas de utilização das urnas eletrônicas, um marco significativo para a democracia nacional. Porém, o sistema de votação enfrenta um desafios sérios: a desinformação. De acordo com uma pesquisa recente, 45% dos conteúdos enganosos que circularam durante os últimos processos eleitorais focavam nas urnas eletrônicas, evidenciando a vulnerabilidade da população a narrativas falsas.

As desinformações não se limitaram às urnas; também atacaram instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF), além de propagar teorias de fraudes na contagem de votos. Falsas alegações frequentemente postadas nas redes sociais incluem supostos malfuncionamentos do botão “confirma” e boatos de que as urnas completariam automaticamente os números digitados. Esses rumores não apenas geram desconfiança, mas também desestabilizam a confiança no processo eleitoral.

Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, destaca que a maioria dos conteúdos falsos se baseia no desconhecimento técnico da população sobre como as urnas funcionam. Esse gap de conhecimento é explorado por quem cria as fake news, que utilizam termos técnicos para confundir e induzir ao erro. O fato de que as urnas são utilizadas apenas uma vez a cada dois anos, durante as eleições, contribui para essa situação: muitos cidadãos não têm a oportunidade de ouvir esclarecimentos rapidamente, dificultando a verificação de informações.

O objetivo da pesquisa foi entender as raízes da desconfiança em relação às eleições e preparar estratégias de combate à desinformação, especialmente para as eleições de 2026. A pesquisa analisou mais de 3 mil conteúdos sobre as eleições passadas, e mais de 700 mensagens foram selecionadas para uma análise mais aprofundada. Os resultados mostram que uma grande parte das desinformações tem como alvo as urnas eletrônicas, refletindo uma estratégia clara de desestabilização da confiança pública no sistema.

Apesar da disseminação de informações falsas, uma pesquisa divulgada recentemente revela que 53% dos brasileiros ainda confiam nas urnas eletrônicas, uma queda em relação a índices mais altos, como o de 82% apurado em 2022. A confiança é mais elevada entre jovens de 16 a 34 anos, enquanto pessoas acima de 60 anos apresentam uma visão mais crítica, muitas vezes influenciadas pela memória do tempo em que o voto era em papel.

Diante desse cenário, especialistas, como Helena Salvador, enfatizam a necessidade de tornar o processo eleitoral mais transparente e acessível, com o objetivo de clarificar e desmistificar o funcionamento das urnas. “Não se trata apenas de uma crítica genérica; há argumentos sofisticados que tentam invalidar o sistema”, alerta. Assim, o desafio permanece: como fortalecer a confiança em um sistema que passou por transformações significativas nos últimos 30 anos? A resposta pode estar na educação e na transparência acerca das tecnologias que garantem a nossa democracia.

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