No dia seguinte à aprovação da PEC 221/2019, a oposição protocolou a PEC 12/2026, que defende a continuidade da jornada tradicional, ao mesmo tempo que a primeira sugere a redução da carga semanal para 40 horas. Ao contrário da PEC que já avançou na Câmara, Alcolumbre encaminhou rapidamente a proposta opositora para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A assessoria do presidente do Senado não se manifestou quando consultada sobre o status da tramitação. Especialistas, como a cientista política Luciana Santana, interpretam o silêncio de Alcolumbre como uma demonstração de “cautela institucional”. Segundo Santana, essa postura visa evitar uma tomada de posição apressada diante de uma pauta que, embora goze de amplo apoio popular, também gera resistência significativa entre setores empresariais e parte dos legisladores.
Nos últimos dias, representantes do empresariado defendem um debate mais pausado, sugerindo que a discussão sobre a alteração na jornada de trabalho seja postergada, possivelmente até após as próximas eleições. Esse cenário de incertezas reflete um equilíbrio delicado entre a pressão social por mudanças imediatas e a necessidade de atender às preocupações de setores empresariais que veem na proposta uma ameaça.
A tramitação da PEC enfrenta ainda mais obstáculos, pois a agenda do Senado está esvaziada, em parte devido a feriados e a falta de quórum nas comissões. Com a expectativa de que reuniões de líderes ocorressem na semana seguinte, a definição do futuro da PEC tornar-se-ia um assunto mais claro nos próximos dias.
O texto alternativo da oposição apresenta um modelo que poderia permitir uma maior liberdade de negociação entrepatrões e empregados, mas sua aprovação continua incerta. Enquanto isso, o debate subsequente pode alterar as previsões sobre as jornadas de trabalho, prolongando a tramitação da questão. A CCJ, que deve ser o primeiro local de análise da proposta de fim à jornada 6×1, está sob a liderança do senador Otto Alencar, que se comprometeu a priorizar a PEC da Câmara em relação à proposta da oposição.
Com o cenário em constante evolução, a pressão continua a aumentar sobre o Senado para que escute a voz das ruas e avance com celeridade no tratamento desta questão bastante sensível e que afeta diretamente a vida de milhões de trabalhadores.
