ECONOMIA – CNI mantém projeção de 2% para PIB e alerta para riscos econômicos em 2023, com inflação e juros elevados como principais obstáculos

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reafirmou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2% para o ano atual, de acordo com o Informe Conjuntural do segundo trimestre. Este número indica que a economia do país deverá seguir uma trajetória de crescimento moderado, impulsionada, em sua maioria, por setores como a indústria extrativa, o agronegócio e a resiliência do setor de serviços.

Apesar desse cenário relativamente favorável em alguns segmentos, a CNI expressa preocupação em relação ao impacto de fatores como as taxas de juros elevadas, uma inflação persistente e o aumento dos custos de produção. Além disso, um crescimento nas importações também pode limitar uma recuperação econômica mais robusta.

O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, sublinha que, embora a demanda e os setores vinculados às commodities continuem a direcionar crescimento, as restrições da política monetária e as fragilidades fiscais deverão atuar como entraves significativos para uma expansão mais acelerada da economia nacional.

Outra questão em pauta é a inflação, que teve sua projeção revisada para cima. A entidade espera que a pressão sobre os preços ao consumidor se mantenha, devido ao aumento dos preços de alimentos, combustíveis e serviços. Além disso, a CNI observou que, apesar de um crescimento esperado na arrecadação federal, as despesas públicas também estão em ascensão, o que pode manter as contas do governo deficitárias e aumentar o endividamento de forma preocupante.

A CNI também elevou suas expectativas para a Indústria, especialmente a extrativa, que se beneficiará do aumento na produção de petróleo. Entretanto, a indústria de transformação ainda enfrenta desafios como a concorrência das importações e os altos custos associados à guerra no Oriente Médio, resultando em apenas uma fração dos segmentos industriais apresentando crescimento positivo.

No setor agropecuário, a expectativa é de uma safra recorde, particularmente de soja, o que levou a CNI a elevar sua projeção para este segmento. Apesar dos altos custos dos insumos, o setor deve superar as expectativas anteriores.

No que tange à política monetária, a CNI revisou sua previsão de diminuição da taxa básica de juros, agora esperando apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual até o final de 2026. Com isso, a taxa Selic deve permanecer elevada, refletindo um cenário de juros reais próximos a 9,2%.

Finalmente, no âmbito internacional, a instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio continua a ser um fator de risco para a economia brasileira, impactando os custos de combustíveis e fertilizantes. As importações de bens de consumo, que têm aumentado, podem representar um desafio adicional a ser monitorado, especialmente em um cenário de desaceleração da indústria interna. Assim, a balança comercial ainda apresenta superávit, mas a situação pode ser modificada se tarifas adicionais forem impostas por países como os Estados Unidos.

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