O motivo do adiamento se deve ao fato de que o presidente da CPMI, deputado federal Arthur Maia (União-BA), não publicou a pauta com antecedência, o que impede a votação dos requerimentos de convocação de testemunhas ou de quebra de sigilos sem acordo entre os membros da comissão. Essa falta de divulgação prévia da pauta dificulta o diálogo entre os parlamentares e torna necessária a busca por consensos para a deliberação.
A relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), explicou que a falta de divulgação da pauta dificulta o processo de votação e que o único caminho é tentar alcançar acordos entre os membros da comissão. É importante ressaltar que mesmo com a maioria governista na CPMI, é necessário estabelecer um acordo com a oposição para que as deliberações possam ser conduzidas.
Os parlamentares ligados ao atual governo defendem a quebra dos sigilos telemáticos e telefônicos de diversas personalidades, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, o presidente do PL Valdemar da Costa Neto e o ex-advogado de Bolsonaro Frederick Wassef. A prioridade, de acordo com Eliziane Gama, é reconvocar o tenente-coronel do Exército Mauro Cid e quebrar os sigilos das pessoas citadas pelo hacker Walter Delgatti Netto em reunião anterior da CPMI.
Por outro lado, a oposição busca convocar rapidamente o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Gonçalves Dias e os comandantes da Força Nacional, ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. A oposição rejeita investigar as denúncias sobre a venda de joias recebidas como presente pelo ex-presidente Bolsonaro, argumentando que esse caso não tem relação com os atos golpistas de 8 de janeiro. O senador Marco Rogério (PL-RO) alegou que a intenção dos governistas é criar uma cortina de fumaça e desviar o foco das investigações.
Para Rogério, a prioridade da CPMI deve ser a convocação do general Gonçalves Dias e dos chefes da Força Nacional. Ele questionou a omissão do ex-ministro do GSI em relação a um suposto problema de invasão que estaria prestes a ocorrer e indagou sobre o motivo pelo qual ele se calou. O senador da oposição ressaltou que Dias tem informações relevantes a revelar e que sua presença na comissão é fundamental.
Apesar dos adiamentos e dos impasses gerados pela falta de divulgação prévia da pauta, a expectativa é de que a reunião da CPMI seja retomada conforme o planejado e que avancem as investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, visando esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos. A sociedade aguarda ansiosamente por resultados concretos e transparentes dessa importante investigação.