“O crescimento da desigualdade é alarmante. Os desafios globais aumentam, mas a solidariedade internacional parece estar cada vez mais em falta”, afirmou Lula, enfatizando a necessidade de uma resposta coletiva mais eficaz diante das crises sociais e econômicas que assolam o mundo.
O presidente brasileiro, convidado para participar da conversa entre as principais economias, ressaltou a importância de corrigir um sistema que, por um lado, gera riqueza em abundância, mas, por outro, distribui oportunidades de modo desigual. Ele também mencionou que um dos maiores fenômenos contemporâneos é a transferência de recursos das nações em desenvolvimento, que, segundo suas palavras, desembolsam cerca de 1,4 trilhão de dólares anualmente apenas para o serviço da dívida, quantia que supera em sete vezes a ajuda recebida dos países ricos.
Na ocasião, Lula criticiou a diminuição do financiamento a organismos internacionais fundamentais, como o Programa Mundial de Alimentos e a Organização Mundial da Saúde, lembrando que tais cortes impactam diretamente os cidadãos mais vulneráveis. Ele apontou que, em contrapartida, os gastos com armamentos globais somaram quase 3 trilhões de dólares no último ano, um montante que parece contradizer o propósito de ajudar nações em desenvolvimento a superar suas dificuldades.
Lula, em seu discurso, também refletiu sobre as últimas duas décadas de cúpulas do G7 e do G8, recordando que, apesar dos desafios recorrentes, raramente houve um esforço coletivo para definir soluções eficazes e duradouras. Ele criticou a prevalência de discursos que exaltam a desregulamentação e a austeridade, apontando que tais ideais têm se mostrado ineficazes diante das complexidades contemporâneas.
De forma incisiva, o presidente brasileiro chamou atenção para a disparidade extrema de riqueza, destacando que a fortuna de alguns indivíduos é desproporcional em relação às necessidades de milhões em todo o mundo. Para ele, o verdadeiro desafio não reside na própria escassez de recursos, mas na falta de implementação e na ausência de vontade política para provocar mudanças significativas no cenário atual.
