Durante a sabatina, Messias fez uma defesa contundente da conciliação, citando que esta abordagem oferece a melhor forma de lidar com os conflitos de interesse no país, especialmente em relação à questão fundiária. Em resposta ao senador Jayme Campos, que expressou suas preocupações sobre a insegurança jurídica que permeia o setor agrícola, Messias abordou a controversa tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas, considerada inconstitucional pelo STF. Ele argumentou que, mesmo que algumas condições constitucionais não possam ser desconsideradas, é crucial também garantir aos proprietários de terras o direito a uma indenização justa.
Messias, que atualmente ocupa a posição de advogado-geral da União, mencionou sua experiência ao assinar um acordo no STF que reconheceu os direitos de indenização de um proprietário em Mato Grosso, uma situação que deveria ser analisada com sensibilidade e visando a paz social. Ele enfatizou que a conciliação entre as reivindicações de propriedade privada e os direitos das comunidades indígenas é não apenas desejável, mas possível.
Ademais, a sabatina abordou outros tópicos significativos, como a gestão ambiental e a necessidade de processos mais ágeis no licenciamento de obras. O senador Jayme Campos criticou a morosidade que afetava projetos como a ferrovia Ferrogrão. Messias respondeu salientando que não deve haver antagonismo entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, enfatizando em sua fala que é viável criar um equilíbrio que beneficie ambas as esferas.
Outro ponto importante trazido à tona na sabatina foi a posição de Messias em relação ao aborto. Ele reiterou ser “totalmente contra” essa prática, afirmando que a questão deve ser tratada pelo Congresso Nacional, ressaltando a relevância do princípio da separação de poder. A conversa também versou sobre os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, quando Messias destacou seu papel ao fazer pedidos de prisão para os envolvidos nos ataques aos Três Poderes em Brasília, afirmando que isso se tratava de um dever constitucional da sua função.
A indicação de Jorge Messias para o STF exigirá o respaldo de 41 dos 81 senadores, o que torna as discussões ao redor de sua sabatina ainda mais relevantes para o futuro da composição do tribunal. Seus posicionamentos refletem uma tentativa de dialogar entre as diferentes demandas sociais e legais que têm marcado a atualidade brasileira.
