Nos meses de março e abril de 2026, pesquisadores coletaram um significativo volume de dados, somando mais de 289 mil posts na plataforma X, além de 6,3 mil publicações no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads. Desses dados, ficou evidente a presença de “picos de desinformação”, acompanhados por padrões de postagem que revelaram uma estratégia clara de manipulação.
O projeto em questão, conhecido como PL 896/2023, define misoginia como uma conduta que manifesta aversão ou ódio às mulheres. Se aprovado pela Câmara dos Deputados sem nenhuma alteração, ele deverá ser integrado à Lei do Racismo, impondo penas que podem variar de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para aqueles que forem considerados culpados de práticas misóginas.
O auge da desinformação ocorreu logo após a aprovação do projeto no Senado, quando um vídeo publicado por um deputado levantou preocupações infundadas sobre a proposta, associando-a a um texto legislativo diferente, o PL 4224/2024. A publicação, que foi vista por mais de 751 mil pessoas em um dia, foi posteriormente removida e republicada com edições, mas não antes de ter gerado considerável alvoroço nas redes sociais.
As redes sociais se tornaram um terreno fértil para a difusão de mitos, como a ideia de que a legislação poderia restringir a liberdade de expressão ou criminalizar interações cotidianas, como perguntar a uma mulher se ela está menstruada. Os pesquisadores notaram que muitos posts exploravam o medo como um meio para aumentar o engajamento, distorcendo a verdadeira natureza do projeto de lei.
Além disso, o estudo explicou que a propagação de conteúdos falsos sugeria que a nova legislação desencadearia demissões em massa de mulheres, e alguns vídeos manipulados até mesmo afirmaram que a proposta criminalizaria partes da Bíblia. Influenciadores e personalidades políticas, como alguns membros da família Bolsonaro, desempenharam papéis centrais na disseminação dessas informações errôneas, promovendo uma narrativa que retratava o projeto como uma ameaça à masculinidade.
Por fim, pesquisas indicam que o discurso de desinformação tem ignorado o cerne do PL, que busca combater práticas discriminatórias que proporcionem constrangimento e humilhação com base no gênero. Com isso, a distorção do debate público se intensifica, à medida que os verdadeiros objetivos da proposta ficam obscurecidos por uma nuvem de informações enganosas.
