Em 21 de março, o ministro estabeleceu um prazo de cinco dias para que Frias respondesse a uma denúncia feita pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Amaral aponta que Frias direcionou pelo menos R$ 2 milhões para a Academia Nacional de Cultura (ANC), uma ONG presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama. A ANC é uma das várias entidades que Karina comanda, incluindo a Go Up Entertainment, empresa encarregada da produção do filme biográfico sobre Bolsonaro, programado para estrear nos cinemas brasileiros em setembro, próximo ao primeiro turno das eleições.
De acordo com os documentos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de justiça designada para intimar o deputado fez pelo menos três visitas ao gabinete de Frias, mas este estava sempre em São Paulo, em compromissos de campanha, e seus assessores não forneceram informações sobre sua agenda.
Tabata Amaral fundamentou sua denúncia com base em uma reportagem de dezembro de 2025, que revelou que a ANC teria recebido R$ 2,6 milhões em emendas de deputados do Partido Liberal (PL). A parlamentar sugere que pode haver um esforço coordenado entre diversas empresas e entidades, o que a torna difícil de rastrear em relação ao uso de recursos públicos, implicando em um potencial financiamento de produções de natureza ideológica.
Os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon, também intimados, apresentaram rapidamente seus esclarecimentos a Flávio Dino. Kicis admitiu um repasse de R$ 150 mil para a produção de outra série, “Heróis Nacionais”, e Pollon revelou que destinou R$ 1 milhão para um projeto que, por problemas técnicos, não avançou.
Ambos repudiaram as acusações de desvio de finalidade, argumentando que suas emendas estavam voltadas para promover a cultura nacional, não havendo ligação com o filme “Dark Horse”. Em meio a essa polêmica, surgiram novos desdobramentos. A indústria cinematográfica e a atuação dos políticos relacionados ao projeto estão sendo minuciosamente examinadas, levantando questões sobre a transparência na aplicação de verbas públicas e o potencial impacto da produção das obras no cenário político atual.
Recentemente, novas revelações implicaram o senador Flávio Bolsonaro em um pedido de aproximadamente R$ 134 milhões para financiar o filme, levantando preocupações nas esferas política e pública. Bolsonaristas argumentam que a obra é uma superprodução independente, reforçando as alegações de que não há envolvimento de recursos públicos no projeto. Essa situação complexa continua a se desenrolar, enquanto a produção “Dark Horse” se aproxima de seu lançamento nas telas.
