ECONOMIA – Desemprego entre pessoas pretas atinge 7,6% no primeiro trimestre de 2026, superando média nacional e evidenciando desigualdade racial persistente.

A taxa de desemprego entre a população negra no Brasil apresentou um resultado alarmante ao finalizar o primeiro trimestre de 2026. De acordo com os dados recentes, esse grupo fechou o período com uma taxa de desocupação de 7,6%. Esse índice não apenas supera a média nacional, que é de 6,1%, como também apresenta uma discrepância significativa em relação à população branca, cuja taxa de desemprego é consideravelmente inferior, em 4,9%.

Esse cenário destaca não apenas a continuidade da desigualdade racial no mercado de trabalho, mas também um agravamento das circunstâncias em relação a anos anteriores. Em comparação com o último trimestre de 2025, a diferença entre as taxas de desemprego de negros e brancos passou de 52,5% para 55%. O ponto mais crítico foi registrado no segundo trimestre de 2020, logo após a eclosão da pandemia de Covid-19, quando a disparidade atingiu 69,8%.

As análises da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral revelam que a diferença não afeta apenas os pretos, mas também os pardos, que apresentam uma taxa de desemprego de 6,8%, 38,8% maior que a dos brancos. Desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012, o desemprego entre negros foi sempre superior ao dos brancos, refletindo fatores estruturais que vão além da cor da pele, como escolaridade e condições geográficas.

A informalidade do trabalho é outra questão preocupante. De acordo com o IBGE, a taxa média de informalidade no país é de 37,3%, sendo que a população negra e parda apresenta maior incidência de trabalho sem registro formal, com 40,8% e 41,6%, respectivamente. Em contraste, apenas 32,2% dos trabalhadores brancos se encontram na informalidade.

Além disso, as disparidades também se fazem notar entre gêneros. As mulheres enfrentam uma taxa de desemprego 43,1% maior que a dos homens. No primeiro trimestre de 2026, essa taxa alcançou 7,3% entre mulheres, enquanto a dos homens foi de 5,1%. Essa diferença reflete uma realidade que se mantém constante ao longo dos anos, com a taxa de desemprego feminino que, desde o início da pesquisa, sempre foi superior ao masculino.

Esses dados revelam um quadro complexo e preocupante sobre a inclusão e as desigualdades presentes no mercado de trabalho brasileiro, demandando ações efetivas para promover a equidade e oportunidades verdadeiramente iguais para todos os cidadãos. A análise aprofundada dessas questões é imprescindível para compreender as raízes da desigualdade e buscar soluções adequadas.

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