Fabiana de Oliveira, especialista em relações internacionais, destaca que essa repressão não se limita apenas a imigrantes de fora da União Europeia, mas também afeta cidadãos de países menos desenvolvidos, que buscam melhores oportunidades em nações mais prósperas do continente. Ela observa que mesmo cidadãos europeus, como búlgaros ou romenos, enfrentam preconceito ao migrar para nações como Alemanha ou França, evidenciando um fenômeno conhecido como migração intraeuropeia. Esses imigrantes, embora possuam passaportes europeus, frequentemente são alvo de discriminação.
A ascensão de partidos populistas e de direita é um reflexo da insatisfação popular com a imigração. Durante o referendo do Brexit, por exemplo, a narrativa foi alimentada pela ideia de que a presença de europeus de países como Polônia e Romênia prejudicava os britânicos. Fabiana também cita que a retórica anti-imigrante não se restringe a grupos de extrema direita; até mesmo partidos da esquerda têm adotado discursos semelhantes, buscando capitalizar sobre o descontentamento da população.
Em meio a esse contexto, propostas como a da Suíça de limitar sua população, bem como mudanças na legislação de cidadania em países como Portugal e Itália, sinalizam um endurecimento migratório que impacta também brasileiros e outros latino-americanos. As dificuldades impostas para obtenção de cidadania e a precarização da situação dos imigrantes, somadas à histórica relação de colonialismo, tornam a experiência migratória ainda mais desafiadora.
A Europa, que antes era vista como um bastião de bem-estar social, agora confronta suas próprias contradições econômicas e sociais, revelando a fragilidade de um modelo que deveria promover inclusão. À medida que a situação se agrava, o futuro dos imigrantes e a coesão social entre os europeus tornar-se um tema cada vez mais urgente e relevante.
