POLÍTICA – CCJ adia análise de PEC que propõe redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, levantando debates sobre direitos juvenis e criminalização.

Na última terça-feira, 19, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados decidiu adiar a análise de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa a redução da maioridade penal no Brasil, passando de 18 para 16 anos. Este assunto, que gera grande debate na sociedade, coloca em discussão o tratamento legal destinado aos jovens que cometem infrações. Atualmente, com a legislação vigente, aqueles que têm entre 12 e 18 anos que cometem crimes graves estão sujeitos a medidas socioeducativas que têm como limite três anos de internação, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O adiamento da análise ocorreu devido ao início da Ordem do Dia no Plenário, que resultou na suspensão de outras votações na Casa, incluindo as que ocorrem nas comissões. A proposta, identificada pela numeração 32/15, é de autoria do deputado Coronel Assis, do PL de Mato Grosso. Ele argumenta que, com a implementação da redução da maioridade penal, os jovens de 16 anos não apenas seriam responsabilizados criminalmente como adultos, mas também poderiam exercer direitos civis como se casar, celebrar contratos, tirar carteira de habilitação e votar obrigatoriamente. O deputado baseia seu argumento em uma pesquisa recente que indicaria que cerca de 90% da população apoia tal mudança.

Durante a sessão, antes do adiamento, o relator da proposta, Coronel Assis, apresentou um parecer favorável, recomendando que a emenda se restringisse à questão da punição penal, evitando assim uma possível “confusão jurídica” ao misturar com direitos civis. No entanto, a proposta enfrenta forte resistência dentro da CCJ. A deputada Talíria Petrone, do PSOL do Rio de Janeiro, destacou que apenas 8% dos atos cometidos por jovens são considerados graves, e alertou que a inclusão desses adolescentes no sistema prisional poderia levá-los a serem aliciados pelo crime organizado.

Com cerca de 12 mil adolescentes atualmente em unidades de internação, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, e menos de 1% dos 28 milhões de jovens nessa faixa etária, a questão continua a gerar intensos debates sobre a efetividade e as consequências de uma possível alteração na maioridade penal no Brasil. O futuro da proposta ainda é incerto, aguardando novas deliberações na Câmara.

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