A Hemobrás, uma estatal criada em 2004, é responsável pela produção de medicamentos derivados do plasma sanguíneo coletado em postos de doação em todo o Brasil. O deputado Jorge Solla, autor do projeto de lei (PL 424/15), destacou que essa mudança permitirá ao Estado brasileiro utilizar seu poder de compra para fomentar o desenvolvimento tecnológico nacional. Segundo Solla, a aquisição eficiente e qualificada desses bens e serviços é essencial para que o Brasil mantenha um sistema de saúde robusto e comprometido com a defesa da saúde pública e o desenvolvimento científico.
Ele enfatizou que não há necessidade de licitação, uma vez que a Hemobrás é a única empresa no país capaz de produzir e fornecer esses hemoderivados, que são cruciais para diversos tratamentos médicos. O relator da proposta, o deputado Clodoaldo Magalhães, ressaltou que essa dispensa está alinhada com as normativas legais, já que garante que apenas a instituição pública, que detém a capacidade de fornecer os produtos, esteja envolvida no processo.
A relevância dessa alteração também se conecta ao contexto recente. Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou novas instalações da Hemobrás em Goiana, Pernambuco, que prometem expandir significativamente a capacidade de produção de medicamentos essenciais, como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação. Esses produtos são fundamentais para o tratamento de queimaduras graves, hemofilias, doenças raras, atendimentos em UTI e grandes procedimentos cirúrgicos.
Com a nova proposta, a expectativa é que a Hemobrás alcance a autossuficiência produtiva até o final de 2024, com potencial para gerar uma economia que pode chegar a R$ 1 bilhão anualmente para o Ministério da Saúde. As mudanças não só visam fortalecer o SUS, mas também reafirmam um compromisso com a inovação e a eficiência na gestão pública da saúde no Brasil.
