POLÍTICA – Câmara Aprova Projeto que Criminaliza Misoginia e Fortalece Proteção às Mulheres em Situação de Violência e Vulnerabilidade

O debate sobre misoginia no Brasil ganhou novos contornos nesta terça-feira, 16 de maio, com a aprovação do parecer da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pelo grupo de trabalho da Câmara dos Deputados. A proposta, que tramita sob o número PL 896/23, visa criminalizar a misoginia, equiparando-a ao crime de racismo, e já recebeu ok do Senado, aguardando agora votação no plenário da Câmara.

Além de conceituar e punir a misoginia, a proposta traz inovações significativas ao ampliar as punições para casos que ocorrem no ambiente digital com o intuito de obter lucro, visibilidade ou engajamento. A legislação também prevê a realização de campanhas públicas de conscientização sobre o que caracteriza a misoginia e os danos que ela causa.

Porém, a expectativa de que a matéria pudesse ser analisada ainda nesta terça-feira foi frustrada, uma vez que líderes políticos concordaram em pautar a discussão para a última semana de junho. Essa decisão ocorreu em função da retirada de urgência para outro projeto do governo federal, o PL 1838/26, que modifica a escala de trabalho 6×1.

No cerne do projeto de lei está a definição de misoginia como qualquer ato que incite violência ou restrinja direitos da mulher, bem como ofensas à sua dignidade. No relatório, Tabata Amaral ressaltou a conexão entre discursos de ódio e a efetivação de crimes graves, afirmando que o feminicídio, muitas vezes, resulta de uma trajetória de violência verbal e simbólica que culmina em tragédias.

Uma das inovações contempladas no relatório é o reforço do atendimento policial especializado para mulheres vítimas de misoginia. As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) terão papel fundamental, oferecendo apoio qualificado e humanizado às vítimas.

A proposta ainda sugere alterações na Lei Maria da Penha, ampliando as medidas de prevenção à violência doméstica com foco em identificar fatores de risco precocemente. Também inclui avaliações periódicas das ações governamentais para fortalecer vínculos familiares e mitigar a dependência financeira que mantém muitas mulheres em situações abusivas.

Essas iniciativas refletem a necessidade urgente de uma abordagem mais robusta e integrada nas políticas públicas de assistência social, educação e saúde, visando a autonomia econômica das mulheres. O texto propõe que decisões e ações sejam delineadas em conformidade com parâmetros nacionais mínimos, fortalecendo a coordenação entre diferentes esferas do governo e garantindo maior efetividade contra a misoginia em todas as suas formas, com uma atenção especial às interações digitais.

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