Ele revelou que grupos contrários à redução da jornada de trabalho, que proporia dois dias de folga semanais aos trabalhadores, tentam ainda impor prazos para a implementação da nova carga horária. Essa ideia, segundo ele, não encontrará apoio no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo Boulos, está se posicionando contra o que ele descreve como um “grande sistema econômico” em defesa dos direitos trabalhistas.
Boulos usa a história dos direitos trabalhistas no Brasil para evidenciar como críticas e oposições são recorrentes sempre que há avanços nessa área. Ele cita a criação do salário mínimo, férias remuneradas e o 13º salário como exemplos de propostas inicialmente hostilizadas, mas que depois se tornaram fundamentais para a dignidade do trabalhador. Segundo o ministro, o “terrorismo econômico” que tenta inviabilizar a nova proposta não é novidade no país; é uma narrativa que pode ser traçada desde a década de 1940, quando Getúlio Vargas estabeleceu o salário mínimo no Brasil.
O ministro defende que o debate sobre essa nova jornada laboral deve ser baseado em dados concretos. Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que a redução da jornada resultaria em um impacto médio de apenas 1% nos custos operacionais das empresas. Ele lembra que, em períodos de aumento real do salário mínimo, não se observou aumento na falência de empresas, muito pelo contrário, o Brasil apresenta hoje o menor índice de desemprego da sua história e uma recuperação econômica crescente.
Boulos também aborda a correlação entre a jornada excessiva de trabalho e problemas de saúde mental, como a síndrome de Burnout. Ele destaca que a produtividade dos trabalhadores tende a aumentar quando eles têm um tempo adequado de descanso, argumentando que uma força de trabalho cansada e estressada é menos eficaz.
Por fim, o ministro enfatiza que a mudança na escala de trabalho terá um impacto significativo especialmente para as mulheres, que frequentemente acumulam o peso de uma dupla jornada, sendo responsáveis não apenas pelo trabalho formal, mas também pelas tarefas domésticas. O fim da escala “6 por 1” é visto por Boulos como uma forma de corrigir essa desigualdade e proporcionar um “respiro” para as mulheres trabalhadoras do país.





