Policiais que venderam droga ao PCC retornam ao trabalho e continuam recebendo salários de até R$ 7,7 mil.

Três agentes da Polícia Civil de São Paulo foram acusados de vender 400 quilos de cocaína ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e retornaram à ativa após 1 ano e 7 meses de afastamento preventivo. Durante esse período, eles continuaram recebendo seus salários normalmente, levantando questionamentos sobre as medidas disciplinares adotadas em casos de conduta inadequada por parte de servidores públicos.

Os policiais envolvidos, identificados como Artur Oliveira Dalsin, Marcelo Inácio Vasconcelos Silva e Lucas Valente, ocupam cargos de investigador de polícia na Polícia Civil de São Paulo. Eles estão na Classe Especial, com vencimentos mensais de R$ 7,7 mil. Esse caso chocou a opinião pública e levantou debates sobre a eficácia dos mecanismos de controle e punição no âmbito das instituições policiais.

Todo o episódio teve início com o desvio de cocaína apreendida em Cubatão, que seria enviada pelo PCC para a Europa através do Porto de Santos. Os agentes foram acusados de negociar a devolução da droga por R$ 5 milhões, em um esquema que envolvia um advogado ligado à facção criminosa. A descoberta dessa transação suspeita foi resultado de investigações da Polícia Federal, que interceptou conversas comprometedoras no celular do advogado em questão.

Esses graves desdobramentos levaram à prisão dos agentes e de outros envolvidos na operação, além do afastamento dos policiais das suas funções, por determinação do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Contudo, a anulação de provas obtidas durante a investigação acabou resultando na reintegração dos agentes à Polícia Civil de São Paulo.

Os diálogos interceptados pela PF revelam a suposta colaboração dos investigadores com membros do PCC em outros inquéritos, demonstrando a gravidade e a extensão das relações indevidas estabelecidas por esses policiais. A decisão de colocá-los de volta em atividade levanta questionamentos sobre a transparência e a eficácia do sistema de justiça e controle disciplinar no ambiente policial em São Paulo.

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