Mais de dois anos se passaram e a investigação segue em andamento no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), sem que tenha sido oferecida denúncia à Justiça local. Os agentes, mesmo sendo investigados, continuam recebendo suas remunerações normalmente, conforme consta no Portal da Transparência.
Um processo detalhado da operação até 2023 foi acessado pelo Metrópoles, revelando que o caso foi temporariamente arquivado devido a uma duplicidade com outro processo em segredo de Justiça. Por ser sigiloso, os nomes dos policiais suspeitos não foram divulgados.
A investigação teve início a partir da recusa de um policial lotado na mesma delegacia em participar do esquema de desvio de drogas para o tráfico. Ele se negou a pedir dinheiro a uma vítima de roubo de veículo como forma de recompensa por devolver o carro roubado. A denúncia anônima enviada ao Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial (Ncap) do MPDFT relatava outros abusos dos policiais militares pela mesma época.
Um ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a denúncia de abuso de autoridade contra o policial que se recusou a participar do esquema. Os agentes investigados orientaram um preso a registrar um boletim de ocorrência contra ele. O policial denunciado conseguiu provar a tentativa de incriminá-lo e um dos policiais envolvidos foi condenado por calúnia e difamação.
Os promotores, ao solicitarem todas as ocorrências da 20ª DP envolvendo drogas, encontraram desvios recorrentes. Em pelo menos 18 situações, presos relataram que os policiais declararam menos drogas ou dinheiro do que o apreendido de fato. Em um dos casos, um preso declarou possuir 230 quilos de drogas, mas nos registros constavam apenas 176 quilos, indicando desvio por parte dos agentes.
Além desses desvios, foi identificada uma troca de mensagens entre os policiais e traficantes para repassar drogas apreendidas. O MP encontrou uma transferência bancária de R$ 2 mil para um dos agentes por parte de um traficante. Em outras situações, houve inconsistências nos valores de dinheiro apreendidos com presos, indicando desvio por parte dos policiais investigados.
As investigações apontam que, ao longo de 2017, policiais civis teriam se apropriado de bens, valores e drogas durante operações policiais. Todas as informações foram encaminhadas à Corregedoria da Polícia Civil para as medidas cabíveis.
O MPDFT afirmou que as investigações continuam em andamento e que uma grande quantidade de material já foi analisada e encaminhada para os setores competentes. A Polícia Civil informou que o caso está sob responsabilidade da corregedoria. A operação contou com a apreensão de aparelhos eletrônicos e dispositivos de armazenamento, cujas informações estão sendo analisadas em sigilo.
Em resumo, as investigações apontam para um esquema de desvio de drogas e dinheiro dentro da 20ª Delegacia de Polícia, envolvendo policiais civis que teriam se apropriado de bens e valores apreendidos durante operações policiais. O desfecho desse caso ainda é aguardado, enquanto os agentes investigados seguem recebendo suas remunerações normalmente.