Polícia Militar de São Paulo capacita 300 agentes para abordar com sensibilidade pessoas autistas e garantir seus direitos durante ocorrências.

O 4º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (4ºBPM-M) está promovendo um importante programa de capacitação destinado a 300 de seus integrantes, com foco na abordagem de pessoas autistas. Realizado nos dias 16 e 18 de abril, o treinamento acontece no Centro TEA Paulista, uma iniciativa da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. O objetivo é fornecer aos policiais as ferramentas necessárias para desenvolver uma postura mais sensível e técnica em situações que envolvam indivíduos no espectro autista.

O tenente-coronel Helder Antônio de Paula, comandante do 4º BPM-M, enfatizou a importância desse treinamento. Segundo ele, a medida surge da necessidade de conhecimento específico que auxilie na proteção dos direitos e necessidades das pessoas autistas. “Ao atuarmos no tecido social, buscamos integrar nosso trabalho para garantir o pleno exercício da cidadania. Essa é uma demanda que requer preparação para assegurar tanto a segurança física e psicológica durante as ocorrências quanto a dignidade desse público”, afirmou o comandante.

Durante o treinamento, a psicóloga Melissa Ferreira, do Centro TEA Paulista, compartilhou orientações valiosas com os policiais. Entre as recomendações, destacou a importância de manter a calma na voz e uma postura firme ao lidar com crises, assim como proporcionar tempo e espaço para que a pessoa autista se acalme. Estes passos são essenciais para evitar a escalada do conflito e desentendimentos durante abordagens.

A deputada estadual Andréa Werner, representante do PSB na Assembleia Legislativa de São Paulo e mãe de um adolescente autista, também ressaltou a relevância deste treinamento. Ela compartilhou preocupações sobre abordagens inadequadas que, muitas vezes, resultam em crises, não necessariamente ligadas à resistência. Werner apontou que muitos relatos em seu gabinete tratam de abordagens impróprias, tanto da Polícia Militar quanto de guardas civis, que ocorrem frequentemente em contextos escolares, onde a falta de preparo para lidar com a diversidade está em evidência.

Por sua vez, o Centro TEA Paulista, desde sua inauguração, já capacitou mais de 2.400 pessoas em 21 municípios do estado, envolvendo profissionais da educação, saúde e segurança pública. Essa iniciativa visa a ampliação e replicação de um modelo efetivo de atendimento, promovendo uma mudança significativa na maneira como a sociedade e as instituições lidam com o autismo.

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