As investigações em torno desse caso começaram com a apreensão do celular do jornalista, feita em março, sob ordem de Moraes. Os peritos da PF analisaram o aparelho e, em um documento assinado em maio, concluíram que seria necessário um exame mais minucioso dos dados contidos no dispositivo. O relatório revela que, embora o dinheiro tenha sido transferido de um informante do jornalista a um terceiro, não existe clareza suficiente para atrelar essa transação diretamente a pagamentos por reportagens.
Adicionalmente, em julho, uma nova análise confirmou que o montante em questão foi utilizado para quitar um imóvel pertencente ao jornalista. As apurações estão focadas em averiguar se as reportagens de Luís Pablo tinham uma motivação política subjacente, especialmente no que diz respeito ao uso indevido de veículos oficiais por Flávio Dino, que governou o Maranhão de 2015 a 2022.
Recentemente, Moraes autorizou a realização de uma ação de busca e apreensão em relação a novos alvos, dentre eles o ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim. Vale destacar que Cutrim é um político atualmente distanciado do grupo de Dino, liderado por Carlos Brandão, o atual governador.
Após essa operação, o presidente do STF, Edson Fachin, comentou que a decisão de Moraes sobre as ações contra as fontes de Luís Pablo será revisitada pelo plenário da Corte. Fachin reafirmou a proteção aos direitos fundamentais, prevenindo qualquer medida que possa comprometer a liberdade de expressão e o trabalho jornalístico no Brasil, em consonância com os princípios consagrados na constituição de 1988. Essa situação destaca a complexidade das interações entre liberdade de imprensa, política e a atuação do Judiciário, especialmente em tempos em que o papel da mídia é constantemente debatido.
