Na última quarta-feira, a PF desencadeou a Operação Off-Balance, que visa investigar suspeitas de gestão imprudente na aplicação de aproximadamente R$ 107 milhões do Iprev de Cajamar, São Paulo. Os recursos foram colocados em letras financeiras de várias instituições, entre as quais se destaca o Banco Master. Essa operação desencadeou um alerta para as práticas adotadas em Maceió, especialmente no que se refere ao gerenciamento de investimentos que envolvem verba pública destinada ao bem-estar de aposentados e pensionistas.
Um ponto crucial que aproxima os dois casos é a atuação da consultoria Crédito & Mercado. Essa empresa foi responsável por assessorar tanto o instituto paulista quanto o Iprev de Maceió em suas operações financeiras. Essa consultoria está sendo investigada pela PF devido à sua recomendação de aplicações que envolvem montantes significativos de recursos previdenciários.
Documentos obtidos indicam que Renan Calamia, CEO da consultoria, esteve presente em uma reunião do comitê de investimentos do Iprev em 29 de novembro de 2023, onde promoveu o Banco Master como uma opção rentável para os investimentos do instituto. Apenas dois dias depois, o Iprev decidiu aprovar um investimento inicial de R$ 80 milhões.
Novas reuniões em novembro de 2024 resultaram na proposta de ampliação dessas aplicações, sugerindo um aporte de R$ 200 milhões em renda fixa e mais R$ 50 milhões em fundos imobiliários. Ao todo, o Iprev investiu R$ 117 milhões em letras financeiras do Banco Master, além de R$ 51 milhões em um fundo imobiliário.
As semelhanças entre os dois casos são notáveis. Ambas as operações compartilham características similares quanto ao perfil dos ativos recomendados, ao uso de recursos previdenciários e à participação da mesma consultoria na estruturação dos investimentos. Com a contínua investigação em Cajamar, que procura identificar possíveis falhas técnicas e exposição excessiva ao risco, a pressão se intensifica sobre o Iprev de Maceió, cujos recursos são vitais para os aposentados e pensionistas do serviço público local.
Diante desse cenário, o ex-prefeito e atual vereador Rui Palmeira, do PSD, manifestou seu posicionamento, afirmando que Maceió foi o município mais prejudicado no caso Banco Master e revelou que formalizou uma denúncia junto à Polícia Federal. As implicações dessa investigação podem ser profundas, afetando diretamente a confiança na gestão dos recursos destinados ao bem-estar dos servidores públicos.
