Embora os detalhes do novo contrato estejam sob sigilo, fontes próximas ao processo indicam que a consultoria poderá sugerir transformar os Correios em uma sociedade de economia mista. Esse modelo prevê a junção de capital público e privado, mantendo o controle e a gestão sob responsabilidade do governo. Essa alternativa já havia sido cogitada pelo governo em fases anteriores do plano de reestruturação, que visa consolidar medidas focadas no longo prazo.
Em comunicado, os Correios confirmaram que a contratação da McKinsey terá o propósito de oferecer consultoria técnica especializada, especialmente na chamada “Fase 3” do plano de reestruturação, que inclui o reposicionamento da empresa no mercado. A estatal ressaltou que essa consultoria externa se destina a realizar diagnósticos organizacionais, definir diretrizes estratégicas e desenvolver cenários e medidas que aumentem a eficiência operacional e a sustentabilidade econômica.
A contratação foi feita por dispensa de licitação, devido à expertise notória da consultoria em serviços técnicos complexos e estratégicos, com preços analisados através de auditoria independente. Sobre a consultoria anterior, a estatal informou que o foco era a construção técnica do projeto de financiamento com o NDB, que está em fase final de negociação.
A situação financeira dos Correios é alarmante. Em 2025, a empresa reportou perdas de R$ 8,5 bilhões, enquanto em 2024 o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões, acumulando 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. O principal responsável por esses números, segundo a empresa, foram os precatórios, despesas vinculadas a decisões judiciais. Além disso, a receita bruta caiu para R$ 17,3 bilhões, uma diminuição de 11,35% em comparação ao ano anterior.
Para tentar reverter essa situação crítica, os Correios têm implementado um plano de reestruturação. Entre as medidas, destaca-se um plano de demissão voluntária (PDV), que, até o momento, recebeu adesão de cerca de 3 mil funcionários, representando apenas 30% da meta de desligamento de 10 mil trabalhadores, que é considerada crucial para economizar R$ 1,4 bilhão em despesas com pessoal.
A necessidade de consultoria externa se justifica pelo conjunto de fatores que ultrapassa a capacidade interna de formulação, sendo um reflexo direto da complexidade da situação atual da empresa. Consciente da gravidade do panorama, a estatal busca soluções eficazes para estabilizar suas finanças e garantir sua continuidade no mercado.
