Entre os defensores da proposta está Carlos Antônio da Silva, um técnico em logística de 46 anos, que reside na Rocinha. Para ele, a medida é um passo necessário para liberar os motoristas dessa função, permitindo que se concentrem na direção. “É a tecnologia ajudando o homem”, argumenta, lembrando que em outras cidades já adotaram sistemas similares. No entanto, ele reconhece que a transição pode ser desafiadora para alguns grupos.
Por outro lado, a babá Sabrina de Souza, de 37 anos, moradora de Guadalupe, critica o pouco tempo que os passageiros têm para se adaptar à mudança. Na sua visão, os usuários eventuais, incluindo turistas e moradores de municípios vizinhos, são os que mais sofrerão. “As pessoas mais velhas e as que têm dificuldades com tecnologia serão as mais prejudicadas”, lamenta.
Isabelly Lucas Alves, de 21 anos, também compartilha dessa preocupação. Ela ficou sabendo da nova política apenas recentemente e considera o prazo de duas semanas extremamente curto para a implementação de um sistema que envolve tecnologia, como o aplicativo que deverá substituir o tradicional cartão Jaé.
Entre os que apoiam a mudança, está Herick Enzo Andrade Alves, morador do Complexo do Alemão. Ele observa que, para muitos, o uso do dinheiro já é uma prática em desuso. Mesmo assim, ele admite que os mais velhos podem encontrar dificuldades na adaptação.
Do outro lado do espectro, Marinalva Batista, de 50 anos, expressa preocupação com a segurança do novo sistema. Ela questiona o que fará em caso de perda do cartão e teme serem deixadas de lado aquelas que não têm familiaridade com a nova tecnologia.
A opinião do vendedor Alessandro Augusto Cardoso, de 45 anos, destaca a dualidade da situação. Ele reconhece que embora a mudança possa agilizar o embarque, a confiabilidade do sistema ainda é um ponto crítico. Máquinas gastas e problemas técnicos podem se tornar o pesadelo dos passageiros durante a implementação.
Por sua vez, o pedreiro Marcos Santana, de 44 anos, defende que o ideal seria manter todas as opções de pagamento disponíveis. Ele compartilhou uma situação complicada que enfrentou ao tentar usar o BRT e a dificuldade em conseguir uma solução na hora.
Por fim, o camelô Fabiano Braun, de 48 anos, vê a mudança como um avanço e manifesta confiança na nova fase que se inicia, destacando a importância de torcer para que tudo funcione conforme o planejado. Diante desse cenário, está claro que a transição para um sistema sem dinheiro envolve tanto promessas de modernidade quanto desafios significativos que precisam ser endereçados.
