Apesar de liderar em quantidade de transações, o Pix responde por uma fração menor do total movido no comércio digital, representando cerca de 41%. Isso se deve, em parte, ao fato de que o meio de pagamento é mais utilizado para compras de menor valor, enquanto o cartão de crédito continua predominante nas aquisições de maior porte, como eletrodomésticos, móveis, eletrônicos e pacotes de viagem, que frequentemente são parceladas sem juros.
Ainda que o cartão de crédito tenha perdido espaço em pagamentos cotidianos, ele continua sendo fundamental para financiamentos maiores das famílias. Conforme revelado em uma pesquisa que examina o endividamento e a inadimplência do consumidor, 81,6% das famílias brasileiras estavam com dívidas a vencer no último mês de junho, e o cartão se destacou como a modalidade mais citada entre elas.
Um especialista na área enfatiza que, enquanto o Pix facilita a rotina diária, ele não substitui a importância do cartão de crédito nas decisões financeiras significativas. O parcelamento de compras maiores pode impactar o orçamento familiar nos meses seguintes, tornando necessário um planejamento cuidadoso.
Ao parcelar uma compra, é essencial considerar o total das prestações, não apenas o valor individual de cada parcela. Um parcelamento que parece inofensivo pode rapidamente se tornar um peso financeiro se somado a outras dívidas. O especialista recomenda que consumidores verifiquem quanto da renda mensal já está comprometida com pagamento de parcelas antes de assumir novos compromissos financeiros. Esse cuidado é particularmente crucial em épocas de grande movimento no varejo, quando promoções podem levar a decisões de compra impulsivas.
Diante desse cenário, a orientação permanece: antes de optar pelo parcelamento, é necessário ter clareza sobre o que já está no orçamento para evitar que uma compra planejada se torne uma dívida incontrolável. Assim, mesmo com a ascensão do Pix, o cartão de crédito continua a ser um instrumento importante que exige uma abordagem cautelosa.





