EUA Prorrogam Sobretaxa ao Brasil e Intensificam Tensões Comerciais em Decisão Simbólica até Julho de 2026

Na próxima quarta-feira, 29 de julho, os Estados Unidos anunciarão no Federal Register a prorrogação de uma sobretaxa sobre produtos brasileiros, inicialmente implementada em julho de 2025. Este movimento, que mantém a tarifa em 40%, é considerado antes de tudo uma medida simbólica e atende a uma exigência legal da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Vale destacar que a mesma sobretaxa foi rejeitada pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano, que argumentou que o uso desse mecanismo para taxar parceiros comerciais não é válido.

A administração de Donald Trump justificou essa prorrogação com alegações de que o Brasil estaria infringindo a liberdade de expressão de seus cidadãos e residentes. Além disso, essa justificativa inclui o suposto cerceamento político de figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Embora o comunicado não mencione Bolsonaro diretamente, refere-se a ele e a eventos relacionados a sua gestão, incluindo os tumultos em 8 de janeiro, onde aliados foram condenados por tentativas de golpe.

Essa cobrança de 40% em tarifas ocorre paralelamente ao início de uma investigação pelos Estados Unidos sobre práticas comerciais do Brasil, direcionada pelo Representante Comercial dos EUA (USTR). A investigação, pautada na Seção 301 da Lei de Comércio, levantou suspeitas de práticas econômicas desleais, resultando em uma tarifa adicional de 25%, que já entrou em vigor. Para complicar ainda mais a situação econômica, uma nova taxa de 12,5% foi criada sobre produtos brasileiros, instaurada em resposta a falhas do país em combater práticas de trabalho forçado, afetando um total de 60 nações.

Neste contexto, o Brasil se torna o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, logo atrás da China, o que representa um impacto estimado de mais de US$ 11 bilhões, o que equivale a quase R$ 56,4 bilhões, nas exportações de sua indústria e agronegócio. Esse cenário expõe ainda mais as tensões comerciais entre os dois países e as implicações políticas que cercam a nova administração de Washington.

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