Pescador devolve raia-de-pedra ameaçada de extinção à Praia de Copacabana em ação de conservação marinha no Rio de Janeiro.

Na manhã desta sexta-feira, a icônica Praia de Copacabana, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro, serviu como cenário para um ato de conservação ambiental. Um exemplar da raia-de-pedra (Hypanus berthalutzae), uma espécie considerada ameaçada de extinção, foi devolvido ao mar por Manasi Rebouças, um pescador da Colônia de Pescadores Artesanais Z-13. O animal, que pesava aproximadamente 15 quilos, havia ficado preso acidentalmente em uma rede de pesca na Baía de Guanabara.

Rebouças relatou a experiência de forma emocionada: “Essa raia é muito rara aqui no Rio. Dificilmente encontramos ou capturamos um animal dessa espécie. Hoje, ela veio na rede junto com um linguado. Felizmente, estava viva. Como as condições do mar estavam muito agitadas, não conseguimos soltá-la de imediato. Então, trouxemos o animal para a areia, retiramos a rede cuidadosamente e a devolvemos ao mar com vida”.

Antes de ser solta, a raia passou por uma avaliação feita por Nathan Lagares, pesquisador do Instituto Mar Urbano, que realizou a biometria do animal, anotando peso e outras informações para o projeto “Raias da Guanabara”. Este caso representou o primeiro registro da espécie em 2026, dentro de um projeto que, até agora, já fez a soltura de mais de 80 raias.

Lagares destacou a importância dos pescadores artesanais na conservação das raias, afirmando que o conhecimento tradicional deles é essencial para a obtenção de dados relevantes sobre essas espécies. “Precisamos caminhar juntos para garantir uma pesca de qualidade, rentável e responsável, conciliando a atividade pesqueira com a conservação da biodiversidade marinha”, ressaltou.

Ricardo Gomes, presidente do Instituto Mar Urbano, complementou que iniciativas como esta demonstram que a proteção dos oceanos exige a colaboração de diversos atores. “A imagem de um pescador devolvendo ao mar um animal ameaçado de extinção representa exatamente o futuro que queremos construir”, enfatizou Gomes. Ele defendeu que a proteção da biodiversidade deve ser fruto de diálogo e valorização de quem vive do mar, argumentando que, quando ciência e conhecimento tradicional convergem, todos saem ganhando: os pescadores, a natureza e a sociedade.

A raia-de-pedra é um animal de grande porte que habita o fundo do mar, e é amplamente encontrada na costa brasileira, desde o Amapá até São Paulo. No entanto, suas características biológicas complicam sua conservação, uma vez que a espécie apresenta crescimento lento e uma maturidade sexual que pode demorar até nove anos para se alcançar. Além disso, sua taxa reprodutiva é baixa, com gestação que varia de quatro a oito meses e ninhadas que podem ter apenas de dois a dez filhotes.

O projeto “Raias da Guanabara”, desenvolvido pelo Instituto Mar Urbano em parceria com a Embratur e a Colônia Z-13, visa ampliar o conhecimento sobre as espécies de raias na região, envolvendo um abrangente esforço de monitoramento e conservação que conta com a participação de pesquisadores, mergulhadores e pescadores artesanais. O público também é convidado a contribuir, podendo enviar registros de fotos e vídeos sobre raias através do site do projeto.

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